Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

EUA divulgam documentos sobre prisioneiros

Terça, 22 de Junho de 2004 às 17:23, por: CdB

A Casa Branca divulgou hoje, terça-feira, documentos sobre o tratamento dado nos últimos dois anos aos prisioneiros capturados na guerra contra o terrorismo, depois que o presidente George W. Bush reiterou que nunca ordenou que eles fosse torturados.

As centenas de documentos originadas no Pentágono, na Casa Branca e no Departamento de Justiça entre janeiro de 2002 e abril de 2003 referem-se à forma de realizar os interrogatórios na base naval de Guantánamo (Cuba) e em outras instalações militares dos EUA, tanto no país como no exterior.

Sua divulgação teve como objetivo aplacar as críticas que estalaram quando um canal de televisão emitiu imagens de abusos cometidos com prisioneiros iraquianos na prisão de Abu Ghraib por militares americanos.

"Danificamos nosso país ao suscitar a idéia de que poderíamos estar implicados na tortura", disse Alberto Gonzales, conselheiro jurídico da Casa Branca ao apresentar os documentos em uma entrevista coletiva.

"Isso é contrário aos valores deste presidente e deste governo", acrescentou.

Pouco antes de divulgar os documentos, Bush tinha insistido que seu governo não aprovou o uso de torturas contra prisioneiros no Iraque nem contra suspeitos de terrorismo.

"Nós não aceitamos a tortura. Eu nunca ordenei a tortura. Nunca ordenarei a tortura", afirmou Bush em declarações concedidas na Casa Branca junto ao primeiro-ministro da Hungria, Peter Medgyessy.

Bush também prometeu que "o mundo verá um julgamento aberto e justo para aqueles que são acusados de violar as leis militares" e aplicar torturas e abusos em prisioneiros no Iraque e Afeganistão.

O senador democrata Patrick Leahy, membro do Comitê Judicial do Senado, indicou que a divulgação dos documentos constitui uma medida positiva, mas não suficiente para neutralizar o escândalo.

"A Casa Branca emitiu um pequeno conjunto de documentos que oferece apenas nuances da gêneses deste escândalo. Eles deveriam ter sido fornecidos antes ao Congresso e ainda há muito que está escondido dos olhos do público", assinalou.

"Para que o Senado e o Comitê Judicial saibamos toda a verdade, necessitaremos mais cooperação" do governo, assinalou.

Por outro lado, o senador republicano John Cornyn criticou as pressões exercidas sobre o governo para que ele divulgasse sua política com relação às torturas e disse que os interrogatórios são um instrumento para impedir que futuros atentados sejam cometidos contra os EUA.

Ele acrescentou que as críticas levaram a uma "politização da guerra contra o terrorismo que é equivocada, perigosa e deve terminar".

Cornyn acrescentou que "é crucial" lembrar que com os interrogatórios podem ser detectados e prevenidos atentados contra o território americano e contra as forças armadas deste país.

O legislador disse que os críticos "querem culpar o governo por cada revés que é registrado na luta contra o terrorismo, ao mesmo tempo que o criticam por tomar medidas para impedir e superar esses revezes".

A Anistia Internacional e outras organizações defensoras dos direitos humanos denunciaram os maus-tratos cometidos com prisioneiros dos EUA em numerosos lugares, no Afeganistão, no Iraque e em Guantánamo, e a existência de centros secretos de detenção, alguns deles em navios de guerra.

Documentos internos da Casa Branca e do Pentágono, divulgados nas últimas semanas, argumentam que os suspeitos de atividades terroristas não estão amparados pelas leis contra a tortura e sobre os prisioneiros de guerra.

Desde que o escândalo de Abu Ghraib estalou, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, recusou usar o termo tortura na descrição dos métodos empregados com os prisioneiros pelos militares e pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos.

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