O Brasil propôs nesta terça-feira, em nome dos países em desenvolvimento e em conjunto com a ONU, uma aliança global para combater a pobreza no mundo, mas os Estados Unidos se opuseram às sugestões de financiamento da iniciativa, que incluem um imposto sobre o comércio de armas.
Discursando na 11a. Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que se realiza em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a insistir na criação desse imposto e de uma taxa sobre transações financeiras para financiar o desenvolvimento e combater a fome.
Lula afirmou que um grupo técnico formado por Brasil, Chile e França, junto com a ONU, tem até julho para propor "mecanismos viáveis" para "o financiamento do desenvolvimento". Afirmou que o imposto sobre transações financeiras incidiria em operações realizadas em paraísos fiscais.
Lula alfinetou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, dizendo que é melhor investir na luta contra a pobreza que gastar dinheiro em "guerras desnecessárias", referindo-se à campanha no Iraque.
Também afirmou que a quantia necessária para combater a pobreza em todo o planeta, cerca de 54 milhões de dólares por ano, representa menos que os gastos militares do mundo em três semanas.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que o combate à fome exige ações urgentes, e convocou os países ricos a aumentar a ajuda às nações em desenvolvimento.
"Nós precisamos de ação, há uma necessidade urgente por recursos cruciais para lidar com um espectro amplo de miséria humana", disse Annan na conferência.
O secretário-geral da ONU afirmou que a ajuda não poderia mais ser vista como "caridade" e que as nações ricas têm que levar em consideração as propostas dos países pobres enquanto disputavam soluções financeiras.
Terry Miller, do Departamento de Estado norte-americano e chefe da delegação dos EUA na Unctad, disse à Reuters que "não se pode encontrar a solução (para o subdesenvolvimento) só com dinheiro", e indicou que a melhor forma de ajudar a financiar os países pobres é melhorando as estruturas legais, de modo a incentivar os investimentos privados.
Celine Charveriat, coordenadora da organização não-governamental Oxfam International, que luta por relações comerciais justas, acusou os EUA de dar as costas à Unctad, enviando a São Paulo uma delegação de baixo escalão.
A ONG pediu que as nações ricas dêem mais apoio político à conferência, para que ela possa cumprir sua missão de analisar os problemas do desenvolvimento e encontrar soluções.
A reunião da Unctad, que é realizada a cada quatro anos, foi aberta na segunda-feira em São Paulo, e vai até sexta.