Incapaz de garantir seu objetivo de levar a democracia ao Iraque através da eleição de 30 de janeiro, o governo do president norte-americano George W. Bush está apressando uma campanha de controle de danos para abaixar as expectativas em relação à votação.
Com temores de uma baixa participação entre árabes sunitas devido a boicote e à intimidação dos insurgentes, o governo já não classifica a eleição como um catalisador para disseminar a democracia no mundo árabe.
Em vez disso, autoridades dos Estados Unidos enfatizam agora o processo político depois da eleição.
"Claramente, não vemos esta a própria eleição como um ponto pivô", disse o vice-secretário de Estado, Richard Armitage, à NPR na sexta-feira. "É o começo do processo, o processo em que os iraquianos vão escrever uma constituição e no final do ano votarão de verdade por um governo permanente."
Quase dois anos depois da Operação Liberdade do Iraque, a insurgência nas áreas de maioria sunita forçou a Casa Branca nesta semana a preparar o público norte-americano para eleições que chamou de "menos que perfeita."
O governo Bush há meses vem abaixando as expectativas sobre a eleição, começando com a advertência feita em setembro pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, de que áreas violentas do país poderiam ser excluídas.
E, a menos de duas semanas da votação, o governo reconhece que apesar das ofensivas militares para garantir segurança na eleição, o medo dos tiros e explosões pode afastar até 20 por cento da minoria sunita das urnas.
Em vez de vangloriar a primeira eleição nacional livre e justa no Iraque em décadas, o governo Bush limitou agora sua ambição em relação à eleição que se recusa adiar.
"Acho que uma eleição de sucesso será aquela em que a maioria da população tenha a chance de votar e, mesmo com a possibilidade de não vermos os mesmos números na área sunita, vamos seguir adiante e usar os resultados desta eleição para continuar," disse o secretário de Estado, Colin Powell, à PBS.
Powell fez campanha junto aos xiitas, que eram oprimidos durante o regime de Saddam Hussein pelos sunitas, para incluir os sunitas no governo. Mas o principal diplomata dos EUA reconhece esta manobra pode inflamar a insurgência.
"A insurgência não sumirá como resultado desta eleição. Na verdade, talvez os insurgentes fiquem mais incentivados."
Críticos da política do governo para o Iraque reclamam que as eleições para a assembléia de 275 membros que deverá esboçar uma constituição e escolher um governo de transição estão tão prejudicadas que não serão legítimas.
"Estas eleições são uma piada," disse Juan Cole, professor de história moderna do Oriente Médio na Universidade de Michigan. "O governo Bush criou a pior propaganda possível para a democracia porque a percepção no Oriente Médio é de que democracia significa que você receberá um país onde tudo está fora de controle."