Os Estados Unidos permitirão que o Iêmen retome a posse de um carregamento de 15 mísseis Scud apreendido por forças espanholas e norte-americanas em um navio que havia zarpado da Coréia do Norte e trafegava pelo Oceano Índico. O anúncio foi feito por autoridades iemenitas depois que o governo do país protestou contra a invasão do navio, afirmando que os mísseis haviam sido comprados por meios legais e teriam objetivo exclusivo de defesa. O governo norte-americano reconheceu que não há qualquer lei internacional que autorize a apreensão de armas convencionais que não sejam consideradas proibidas pelos tratados em vigor. Por outro lado, Washington também alegou não haver nada que proibisse explicitamente tal apreensão. A operação, realizada na última segunda-feira e revelada no dia seguinte, deu origem a consultas urgentes entre autoridades norte-americanas e iemenitas. No Pentágono, funcionários disseram que, antes da invasão do navio, autoridades do Iêmen haviam negado que o carregamento de armas lhe pertencesse. Uma importante autoridade norte-americana disse, em entrevista à CNN na manhã desta quarta-feira, que os Estados Unidos estavam "99 por cento certos" de que o destino original do navio, sem bandeira, seria o Iêmen. Os Estados Unidos defenderam a operação, classificando-a como coerente com a nova política do governo do presidente George W. Bush, que prevê a interdição de navios transportando armas capazes de provocar destruição em massa. O governo iemenita divulgou uma nota de protesto formal pela apreensão do navio, encaminhada à embaixada norte-americana. "O carregamento faz parte de contratos assinados há algum tempo", disse a agência de notícias oficial Saba, citando o ministro das Relações Exteriores Abubakr al-Qaribi. "Ele pertence ao governo iemenita e a seu Exército e tem objetivos de defesa". A agência informou ainda que o chanceler havia convocado a chefia da missão diplomática norte-americana em Sanaa para apresentar um protesto formal. "O ministro das Relações Exteriores ressaltou a importância da devolução do carregamento ao governo iemenita", acrescentou. EUA criticam Pyongyang Horas antes, ao iniciar uma visita à China, o subsecretário de Estado norte-americano Richard Armitage havia declarado que a descoberta dos mísseis a bordo do navio, o So San, confirmava a suspeita dos Estados Unidos de que Pyongyang prolifera armas. "Obviamente, as autoridades norte-americanas já suspeitavam disso há algum tempo", afirmou. "A Coréia do Norte, como a doutora (Condoleezza) Rice, a nossa assessora de Segurança Nacional, já disse em diversas ocasiões, é um dos países que mais proliferam armas e parece que eles estavam ocupados, proliferando de novo", acrescentou o subsecretário. A notícia sobre a interceptação veio à tona na noite de terça-feira, quando autoridades do Pentágono disseram que especialistas em armas encontraram mísseis Scud no cargueiro, que foi abordado pela Marinha espanhola, com apoio norte-americano, no Oceano Índico, a sudeste do Iêmen. Nesta quarta-feira, o navio foi entregue a autoridades militares norte-americanas, que o estavam levando para a base naval de Diego Garcia, no Oceano Índico. O governo espanhol informou que 15 mísseis Scud e 85 contêineres de produtos químicos não identificados foram encontrados a bordo da embarcação. Os Scud são mísseis que o presidente iraquiano Saddam Hussein utilizou para atacar tanto a Arábia Saudita como Israel durante a Guerra do Golfo, em 1991. O serviço de inteligência dos Estados Unidos estava monitorando o navio desde sua saída da Coréia do Norte, há alguns dias, com destino à região do Mar da Arábia, segundo as autoridades norte-americanas. O cargueiro foi interceptado na segunda-feira por dois navios de guerra espanhóis, que patrulham essa região do Oceano Índico. A embarcação ainda tentou fugir, levando os barcos espanhóis a fazer disparos de advertência. Uma comissão e
EUA devolverão ao Iêmen mísseis apreendidos em navio
Os Estados Unidos permitirão que o Iêmen retome a posse de um carregamento de 15 mísseis Scud apreendido por forças espanholas e norte-americanas em um navio que havia zarpado da Coréia do Norte e trafegava pelo Oceano Índico. O anúncio foi feito por autoridades iemenitas depois que o governo do país protestou contra a invasão do navio, afirmando que os mísseis haviam sido comprados por meios legais e teriam objetivo exclusivo de defesa.
Quarta, 11 de Dezembro de 2002 às 22:14, por: CdB