O relatório, citado pelo jornal The Guardian, afirma que calçamentos de 2,6 mil anos de idade foram destruídos por veículos militares e que fragmentos arqueológicos foram usados para encher sacos de areia quando uma base militar foi instalada no local.
Além disso, áreas da cidade teriam sido cobertas de cascalho para possibilitar o pouso de helicópteros e servir de estacionamento para veículos, compromentendo seu uso para futuras explorações arqueológicas.
O documento diz ainda que rachaduras e lacunas apareceram em um dos mais importantes monumentos da Babilônia, o Portão de Ishtar, do qual alguém teria tentado retirar tijolos decorados.
Controle
A cidade foi usada como base militar por tropas americanas e polonesas.
"Foi o equivalente a montar um acampamento militar na Grande Pirâmide do Egito ou em torno de Stonehenge, na Grã-Bretanha", diz o relatório, de acordo com o The Guardian.
O jornal cita o autor do relatório, John Curtis, dizendo que, a princípio, as tropas americanas evitaram que as ruínas fossem saqueadas após a queda do governo de Saddam Hussein, mas que foi "lamentável" a decisão de instalar lá uma base militar.
Segundo o jornal britânico, as forças americanas defenderam o uso que foi feito do local, mas disseram que todas as atividades que implicavam a remoção de terra foram interrompidas.
Elas também disseram que estão analisando a possibilidade de levar suas tropas para outros lugares a fim de proteger as ruínas.
As forças lideradas pelos Estados Unidos vão entregar neste sábado o controle da cidade ao governo interino do Iraque.
A cidade da Babilônia, fundada 4 mil anos atrás, foi um dos berços da civilização e ficou célebre, entre outras realizações, por seus famosos jardins suspensos, uma das sete maravilhas do mundo antigo.