Os Estados Unidos criticaram neste domingo as autoridades de Israel pela destruição de boa parte do prédio de governo da Autoridade Palestina em Ramallah, na Cisjordânia. Uma porta-voz do presidente americano George W. Bush disse que o cerco israelense ao líder palestino Yasser Arafat "não ajuda" a acabar com os atentados suicidas de ativistas palestinos contra alvos de Israel. Trata-se de uma aparente mudança de postura das autoridades americanas, que até agora vinham dizendo que era um direito de Israel tomar suas decisões na área da segurança. Milhares de palestinos tomaram as ruas nos territórios ocupados e em Israel para manifestar seu apoio a Arafat - muitos deles desafiando o toque de recolher imposto pelos militares israelenses. Demolição "As ações israelenses na Muqata'a (como é conhecido o complexo de prédios de governo palestino) não ajuda a reduzir a violência terrorista, nem a que se realizem reformas na Autoridade Palestina", disse a porta-voz da Casa Branca Jeani Mamo. Ela, no entanto, também criticou os palestinos. "Está claro que os palestinos precisam tomar medidas para acabar com os atentados." "Nós pedimos que Israel continue a refletir sobre as conseqüências de suas ações. É também importante que os palestinos entendam que a violência terrorista causa grandes prejuízos à aspiração de que seja criado um estado palestino." Ao anoitecer, Israel anunciou que estava paralisando a demolição de prédios do governo da Autoridade Palestina em Ramallah. Apenas um ainda permanece de pé, o que abriga Yasser Arafat. Representantes palestinos disseram ter recebido uma mensagem dos israelenses, indicando que eles estavam se retirando porque já haviam destruído o que pretendiam destruir. Mártir Durante todo o dia, o exército israelense manteve a pressão sobre Yasser Arafat, cortando a energia elétrica e o fornecimento de água ao prédio. Mas Arafat, de 72 anos, continua se recusando a colaborar com Israel, que exige que ele entregue 50 supostos militantes que estariam no prédio junto com o líder. Nas manifestações realizadas por palestinos desde a noite de sábado, pelo menos cinco pessoas foram mortas em confrontos com soldados israelenses. O vice-ministro da Defesa israelense, Weizman Shiri, disse que Israel gostaria que Arafat abandonasse a região por livre e espontânea vontade, e advertiu que ele não receberá autorização para voltar se o fizer. No seu quartel-general, Arafat teria dito a assessores que quer que Deus "lhe dê a honra de ser um mártir" e que ninguém seria entregue a israel. Críticas Além dos Estados Unidos, outros países criticaram a ofensiva israelense. A França disse que o cerco israelense a Arafat é "inaceitável" e pediu que ele fosse abandonado imediatamente. Representantes da Dinamarca - que ocupa a presidência rotativa da União Européia - disseram que as ações de Israel não vão nem diminuir os atos extremistas nem melhorar a segurança da população civil. O presidente egícpio, Hosni Mubarak, pediu a intervenção imediata dos Estados Unidos, enquanto a Jordânia disse que as ações israelenses colocam em risco a estabilidade da região. Até a Turquia, considerado o principal aliado de Israel na região, manifestou sua oposição ao cerco. O premiê turco Bulent Ecevic se disse "extremamente perturbado" com o ataque ao "legítimo representante" do povo palestinos.
EUA criticam cerco israelense a Arafat em Ramallah
Os Estados Unidos criticaram neste domingo as autoridades de Israel pela destruição de boa parte do prédio de governo da Autoridade Palestina em Ramallah, na Cisjordânia.
Domingo, 22 de Setembro de 2002 às 21:11, por: CdB