Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

EUA criticam Brasil por tráfico de seres humanos

Os Estados Unidos acusaram, nesta segunda-feira, dez países por não se empenharem contra o tráfico de milhares de pessoas, que são reduzidas à prostituição e à escravidão todos os anos. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, estimou que entre 600 mil e 800 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, sejam vítimas anualmente do tráfico humano, principalmente no Brasil. (Leia Mais)

Segunda, 14 de Junho de 2004 às 18:36, por: CdB

Os Estados Unidos acusaram na segunda-feira dez países por não se empenharem contra o tráfico de milhares de pessoas, que são reduzidas à prostituição e à escravidão todos os anos. Segundo o estudo, o Brasil também não se sai muito bem nessa área. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, estimou que entre 600 mil e 800 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, sejam vítimas anualmente do tráfico humano.

- Estamos falando de mulheres e de meninas de até seis anos sendo traficadas para a exploração sexual comercial, de homens sendo traficados para o trabalho forçado, de crianças sendo traficadas como soldados infantis - afirmou Powell ao apresentar o relatório anual do Departamento de Estado sobre o tema.

Ele descreveu o caso de uma menina de 11 anos que foi levada das montanhas do Laos para uma tecelagem, onde era obrigada a trabalhar 14 horas por dia. Quando reclamava, era agredida e trancada em um quartinho. O contato com produtos químicos a desfigurou.

Powell disse ainda que o tráfico humano é "uma ameaça à segurança global, porque seus lucros financiam ainda mais crimes e violência, incluindo, muito provavelmente, a violência terrorista". Ele não apresentou, porém, evidências específicas ligando o tráfico humano ao terrorismo.

Os dez países citados - Bangladesh, Coréia do Norte, Cuba, Equador, Guiana, Guiné Equatorial, Myanmar, Serra Leoa, Sudão e Venezuela - podem ser alvos de sanções, incluindo a suspensão da ajuda norte-americana que não for para fins humanitários ou comerciais. O presidente dos EUA, George W. Bush, tem o direito de suspender as sanções.

Esses dez países aparecem na "Categoria 3" da lista, onde a situação é mais grave. Powell disse que eles "não cumprem completamente os padrões mínimos previstos nas leis norte-americanas e não estão fazendo esforços significativos para isso". Esses padrões mínimos exigem a proibição e punição de formas graves de tráfico, prevêem que a pena deve ser compatível com os crimes e defendem "esforços sérios e sustentados" contra o problema.

O relatório diz que Bangladesh não conseguiu "fazer esforços significativos para processar os traficantes e examinar a cumplicidade das autoridades". O texto afirma ainda que "não existe" fiscalização no Sudão, e que a Venezuela não dedica "atenção e recursos" ao tráfico humano.

O relatório também coloca 42 países - inclusive Brasil, Japão, Rússia, Grécia, Turquia e Chipre - na "Categoria 2" da lista. São nações que precisam de "escrutínio especial" e que podem ser rebaixados para a terceira lista. O texto informa que o Brasil é "fonte e destino" de vítimas do tráfico humano e relata que há 75 mil brasileiras se prostituindo na Europa e 25 mil pessoas submetidas a trabalho escravo dentro do país. Só 25 países - quase todos da Europa Ocidental - cumpriram os padrões exigidos pelos EUA.

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