O terrorismo internacional matou 625 pessoas no ano passado, mais que o dobro das 307 mortes anteriormente anunciadas pela administração Bush num relatório incorreto usado para cantar vitória na guerra sobre o terror.
Os erros do relatório anual "Padrões do Terrorismo Global" envergonharam a administração Bush e afetaram o argumento de que os Estados Unidos estão vencendo a batalha contra o terrorismo, um tema importante da campanha do presidente George W. Bush à reeleição.
O número de mortes em ataques terroristas internacionais ainda ficou abaixo do de 2002, que teve 725 vítimas fatais, disseram autoridades nno final da noite desta terça-feira. Uma autoridade creditou o erro no relatório anterior à não contabilização de ataques de novembro e dezembro, incluindo atentados em Riad e as explosões em Istambul, que mataram pelo menos 61 pessoas.
O número de ataques passou de 190, no relatório anterior, para 208. O Departamento de Estado também revisou o número de ataques de 2002, elevado de 198 para 205. Quando o relatório incorreto foi anunciado com escarcéu, há quase dois meses, as autoridades comemoraram como prova de que Washington estava vencendo a guerra contra o terrorismo.
Desde então, as autoridades negaram ter manipulado os números para favorecer Bush na eleição de 2 de novembro. A popularidade de Bush vem caindo cada vez mais, principalmente por causa da guerra no Iraque.
Segundo uma pesquisa da ABC News e do Washington Post divulgada na segunda-feira, 48 por cento dos entrevistados afirmaram confiar que o candidato democrata John Kerry conduzirá melhor a campanha dos EUA contra o terrorismo. Os que confiavam mais em Bush foram 47%
O secretário de Estado, Colin Powell, afirmou que os erros foram causados por enganos cometidos pelo Centro de Integração da Ameaça Terrorista, um grupo interagências formado no ano passado para analisar por que a inteligência dos EUA não conseguiu prever os ataques de 11 de setembro.
Os erros só foram detectados por especialistas independentes depois da divulgação oficial. "É como numa queda de avião. Todos os sistemas de segurança têm de falhar ao mesmo tempo. Foi o que aconteceu", disse uma autoridade.
"Havia um novo órgão realizando o trabalho com pessoas que nunca tinham feito isso antes, num período em que estavam sobrecarregadas com muitas outras coisas", disse a fonte, referindo-se a temores de novos atentados.
No fim do ano passado, o nível de alerta dos EUA foi elevado devido à possibilidade de ataques com aviões, e as autoridades norte-americanas forneceram informações para empresas aéreas, causando o cancelamento de vôos na Grã-Bretanha, na França e no México.