Os Estados Unidos correm o risco de descuidarem de alguns temas importantes, como as relações com a China e com o mundo islâmico, devido ao seu "foco único" nas guerras do Iraque e do Afeganistão, segundo uma ex-alta funcionária do Pentágono.
- Temos de ligar novamente o radar de busca no resto do mundo - disse Suzanne Patrick, que em julho deixou o cargo de subsecretária de Defesa para Política Industrial.
Assim como ela, vários ex-funcionários vêm criticando o governo Bush, que está na defensiva por causa da guerra do Iraque e de questões domésticas, como o preço da gasolina e a demora na reação ao furacão Katrina.
- Após quatro anos de um foco único na guerra global ao terrorismo, devemos ter cuidado para não perdermos outras coisas que estão ocorrendo no mundo - disse ela.
Patrick disse que, sem uma estratégia nacional coerente, os EUA estão indo a reboque em questões relativas à China e outras. Em seus quatro anos de Pentágono, Patrick disse ter visto falhas de coordenação entre a Defesa, o Tesouro e o Departamento de Estado. Além disso, segundo ela, as táticas militares não refletem considerações político-econômicas e vice-versa.
Patrick condenou também a forma como o Pentágono gerencia os seus maiores programas de armas, pois a Comissão de Aquisições da Defesa tende a examinar programas individuais, ao invés de avaliar em termos mais amplo a capacidade militar de travar e vencer guerras.
- Em nenhum momento o empreendimento é verdadeiramente gerenciado. Há muito menos coerência no Departamento de Defesa do que poderia haver se pelo menos algumas das práticas amplamente disponíveis no setor fossem aplicadas - acrescentou, lembrando que Rumsfeld pouco avançou nos seus esforços para que o Departamento de Defesa funcionasse mais como uma empresa, em grande parte por causa do seu foco na guerra do Iraque.
James Turner, porta-voz do Pentágono, disse apenas que "a senhora Patrick tem o direito a ter sua própria opinião". Patrick, ex-analista de Wall Street e funcionária civil da Marinha, está criando um instituto para ajudar o governo a melhor integrar os fatores econômicos, políticos e militares em uma "grande estratégia" nacional.