O Senado dos Estados Unidos aprovou de forma unânime Michael Chertoff como secretário de Segurança Nacional, o que completa assim a lista de novos nomes para o segundo mandato do presidente George W. Bush.
A oposição democrata utilizou o debate e votação sobre Chertoff para denunciar a política de detenções indefinidas de supostos terroristas, mas acabou respaldando-o no cargo. Apesar da polêmica sobre sua possível participação em discussões sobre os métodos de interrogatórios a prisioneiros em Guantánamo (Cuba), Chertoff conseguiu 98 votos a favor e nenhum contra.
Chertoff, 51 anos, substituirá Tom Ridge como titular do Departamento de Segurança Nacional (DHS), a entidade criada por causa dos atentados de 2001 para melhorar a coordenação entre as agências de segurança nacional.
Tanto democratas como republicanos elogiaram hoje o compromisso de Chertoff, juiz federal em Nova Jersey desde 2003, por assumir a direção do DHS em um momento em que este departamento segue repleto de problemas de descoordenação e lutas internas entre as 22 agências que o integram.
O senador Patrick Leahy, democrata de maior categoria no Comitê Judicial do Senado, disse que acreditava no compromisso de Chertoff por fazer respeitar os direitos civis dos detidos pelos EUA como parte de sua luta antiterrorista.
Leahy lembrou que, como novo responsável pela segurança interna, Chertoff enfrentará enormes desafios envolvendo a proteção da infra-estrutura nacional e a segurança fronteiriça e dos portos marítimos e aéreos, entre outros.
Esses desafios também foram destacados em um relatório divulgado ontem pelo Escritório de Contabilidade Geral (GAO), braço investigador do Congresso.
Chertoff conseguiu um apoio de democratas e republicanos, mas antes teve que defender seu mandato à frente da Divisão de Assuntos Criminais do Departamento de Justiça, cargo que exerceu durante boa parte do primeiro governo do presidente George W. Bush.
Os democratas exigiram, sem êxito, que o Departamento de Justiça esclarecesse qual foi a participação do juiz Chertoff nas discussões com o FBI sobre a legalidade de certos métodos coercitivos contra os prisioneiros em Guantánamo.
Chertoff era o último dos dez indicados para o segundo mandato de Bush pendente de confirmação no Senado, mas a Casa Branca ainda não nomeou o novo Diretor Nacional de Inteligência, nem outros funcionários de alto nível dentro do governo.