Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, a Embraer anunciou a suspensão de seus planos de montar aviões em uma fábrica nos Estados Unidos após o governo norte-americano anunciar o cancelamento de um contrato de US$ 8 bilhões com um consórcio que envolvia a fabricante brasileira de aviões. Ainda nesta quinta-feira, o Exército dos EUA também divulgou comunicado em que cancela o projeto ACS (Aerial Common Sensor) de construção de um avião de vigilância, que seria desenvolvido por um consórcio liderado pela fabricante de equipamentos de defesa Lockheed Martin e que tinha participação da Embraer.
A escolha da empresa brasileira havia recaído sobre o avião ERJ-145 como plataforma para o projeto. Embora a aeronave atendesse, segundo a Embraer, "todos os requisitos à época da concessão do contrato, questões ligadas ao peso, potência e refrigeração foram identificadas durante as atividades iniciais de desenvolvimento do sistema, indicando necessidade de mudança para uma plataforma maior". Diante da recusa, a Embraer ofereceu outras opções ao Exército, como o jato Embraer 190, que também foram descartadas pelos EUA.
Segundo a Embraer a fábrica para a montagem dos aviões seria em Jacksonville (Flórida). A pedra fundamental da unidade foi lançada em agosto de 2004. Na época, o governador da Flórida e irmão do presidente americano George W. Bush, Jeb Bush, participou da cerimônia de início da construção da fábrica, planejada para ocupar uma área construída de 6.600 metros quadrados no Cecil Commerce Center, uma base militar fechada em 1999. A conclusão da unidade havia sido planejada para o ano passado. No entanto, com a demora do governo americano em confirmar o contrato, as obras não chegaram a ser iniciadas, segundo a assessoria de imprensa da empresa.
O projeto ACS tinha um valor inicial de US$ 879 milhões, com chance de atingir US$ 8 bilhões, dependendo do número de aeronaves produzidas.
Na nota divulgada hoje, a Embraer reconheceu estar "desapontada" com a decisão do Exército dos EUA, mas disse que vai buscar outras "oportunidades com o governo dos Estados Unidos com a mesma determinação e espírito de cooperação que têm caracterizado nossas atividades até hoje".
A nota na íntegra
"Uma equipe liderada pela Lockheed Martin, da qual a Embraer participa, tem trabalhado no sentido de oferecer a melhor solução total aos requisitos da nova geração do sistema de vigilância de campo de batalha para o Exército dos EUA, conhecido como Aerial Common Sensor (ACS). Embora o ERJ 145, originalmente selecionado como plataforma, atendesse todos os requisitos à época da concessão do contrato, questões ligadas ao peso, potência e refrigeração foram identificadas durante as atividades iniciais de desenvolvimento do sistema, indicando necessidade de mudança para uma plataforma maior".
"Ainda que a Embraer esteja desapontada com o curso dos acontecimentos, após haver vencido a concorrência inicial, permanecemos extremamente confiantes na capacidade de nossa linha de produtos em atender plenamente as necessidades do cliente. Pretendemos buscar oportunidades com o governo dos Estados Unidos com a mesma determinação e espírito de cooperação que tem caracterizado nossas atividades até hoje. A Embraer continua a considerar o Cecil Commerce Center, em Jacksonville, Florida, como o local escolhido para suas iniciativas de defesa na América do Norte. Entretanto, devido ao fato de nossa capacidade em ocupar a instalação e provê-la de funcionários depender de contratos, os planos da Embraer para a montagem de aeronaves em Jacksonville, conforme anunciado em junho de 2003, ficam suspensos".