Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

EUA buscam ajuda muçulmana e árabe contra ameaça terrorista

Sábado, 10 de Julho de 2004 às 07:58, por: CdB

As autoridades dos EUA centraram seus esforços em conseguir a ajuda de muçulmanos e de americanos de origem árabe para neutralizar a possibilidade de se concretizar uma ameaça terrorista contra o processo eleitoral deste ano.

Ao mesmo tempo, intensificaram as medidas para proteger pontos importantes da estrutura do país que poderiam ser alvo de um ataque terrorista.

Fontes do FBI (polícia federal americana) indicaram que seu diretor, Robert Mueller, ordenou ontem que as 56 dependências do organismo policial entrem em contato com esses grupos, que também incluem os membros da comunidade sique no país.

O secretário de Segurança Nacional, Tom Ridge, anunciou 24 horas antes que seu escritório tinha recebido informação "crível" de que a organização Al Qaeda planeja cometer grandes atentados para atrapalhar o processo das eleições.

Os eventos que poderiam ser afetados são as convenções democrata e republicana dos próximos meses e as próprias eleições legislativas e presidenciais do dia 2 de novembro.

Em declaração emitida na sexta-feira, o secretário de Justiça, John Ashcroft, reiterou que embora não exista um conhecimento preciso sobre o lugar, o momento e a forma como poderia ser perpetrado um ataque, trabalha-se de maneira ativa para descobrir esses dados.

"Como parte desse esforço, mais uma vez estamos acudindo a nossos amigos das comunidades muçulmana e árabe americanas em busca de qualquer informação que eles possam ter", disse.

Até agora não foi informado de uma resposta formal dessa comunidade, que denunciou ter sido vítima de perseguição depois das investigações sobre os atentados do dia 11 de setembro de 2001.

Segundo fontes do FBI, neste ano e meio de ocupação militar do Iraque, esse organismo da polícia federal interrogou cerca de 11.000 pessoas de origem iraquiana em busca de informação sobre a capacidade militar do agora derrocado regime de Saddam Hussein e sobre a suspeita da existência de armas de destruição em massa.

Um porta-voz do Conselho de Relações Americanas Islâmicas em Washington disse estar satisfeito com o esforço de aproximação que as autoridades americanas fazem para conseguir sua ajuda.

No entanto, acrescentou que a comunidade árabe-americana está preocupada com o perigo de serem afetados tanto suas liberdades civis como seus direitos legais.

Os autores do 11-9 eram 19 terroristas, a maioria deles sauditas, que seqüestraram quatro aviões de passageiros e os jogaram contra as Torres Gêmeas de Nova York e contra o Pentágono, em Washington. Um quarto avião caiu na Pensilvânia.

Apesar de Ridge insistir em que carece de detalhes concretos sobre a nova ameaça terrorista, fontes do FBI citadas pela cadeia de televisão CNN indicaram que os principais alvos poderiam ser o sistema de transporte dos EUA, incluindo a aviação comercial.

Um boletim do FBI dirigido a organismos policiais locais e estatais assinalou na sexta-feira que deverão ser tomadas maiores precauções em instalações vinculadas ao setor energético, como refinarias e usinas nucleares.

Segundo fontes da inteligência, a ameaça terrorista contra o processo eleitoral provém diretamente de Osama bin Laden e de seu lugar-tenente, Ayman al Zawahiri.

"Sabemos que isto é dirigido do mais alto nível da organização Al Qaeda", disse uma das fontes citadas pela cadeia de televisão CNN.

Ao divulgar a ameaça terrorista, Ridge indicou que os atentados teriam como objetivo alterar o processo eleitoral, assim como ocorreu com as perpetrados em Madri no dia 11 de março, às vésperas das eleições gerais.

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