Rio de Janeiro, 26 de Abril de 2026

EUA ampliam cerco ao governo de Chávez

Os EUA iniciaram, esta semana, um boicote planejado contra as intenções de a Venezuela reformar seu arsenal e ampliar a efetividade de suas forças armadas. Fonte ligada ao ministério das Relações Exteriores do Brasil, com trânsito junto aos meios diplomáticos venezuelanos, aponta o cancelamento de um contrato entre a Embraer e o exército norte-americano, nesta sexta-feira, a proibição da venda de aviões brasileiros e espanhóis ao governo de Hugo Chávez e a presença militar no continente sul-americano a partir de uma base montada no Paraguai, como parte de um plano mais amplo de desestabilização regional. (Leia Mais)

Sábado, 14 de Janeiro de 2006 às 12:42, por: CdB

Os EUA iniciaram, esta semana, um boicote planejado contra as intenções de a Venezuela reformar seu arsenal e ampliar a efetividade de suas forças armadas. Fonte ligada ao ministério das Relações Exteriores do Brasil, com trânsito junto aos meios diplomáticos venezuelanos, aponta o cancelamento de um contrato entre a Embraer e o exército norte-americano, nesta sexta-feira, a proibição da venda de aviões brasileiros e espanhóis ao governo de Hugo Chávez e a presença militar no continente sul-americano a partir de uma base montada no Paraguai, como parte de um plano mais amplo de desestabilização regional.

A "esquerdização da América Latina", como é tratado o processo de aproximação dos últimos governos eleitos na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai e Venezuela com o socialismo, segundo fonte diplomática brasileira, "tem causado uma grande preocupação ao governo conservador de Bush". A afirmação está embasada na declaração do secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, nesta sexta-feira, de que aquele país precisa "trabalhar mais com a América Latina", o que significaria uma presença maior dos organismos de inteligência na política dos países "esquerdizados".

O sinal de alerta quanto ao risco de uma crescente instabilidade dos investimentos norte-americanos na região, segundo observou uma agência internacinal de notícias inglesa, disparou durante a visita do presidente eleito da Bolívia, Evo Morales, ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, nesta sexta-feira. Ainda na manhã deste sábado, em Washington, apesar do frio de 4 graus nas ruas, a movimentação no setor latino-americano da secretaria de Estado era intensa. No Bureau of Political-Military Affairs da Casa Branca, "o nome de Chávez, Lula, Evo e Zapatero ainda ecoam pela paredes", afirma um diplomata brasileiro, a serviço em Washington.

Mas os rosnados norte-americanos não parecem surtir efeito junto aos principais aliados de países recém-saídos do círculo de influência do governo Bush. Zapatero afirmou, na manhã deste sábado, em Madri, que não pretende ceder às pressões diplomáticas dos Estados Unidos e vai manter a venda de aviões para a reforma da força aérea venezuelana. A Embraer, que sofreu um golpe de mais de US$ 8 bilhões em seu orçamento nesta sexta, devido ao cancelamento de um contrato com o exército dos EUA, como informam fontes ligadas à indústria aérea brasileira, já estuda formas de equipar os Super Tucanos pedidos por Chávez com dispositivos franceses no lugar dos sensores e demais dispositivos construídos com tecnologia norte-americana, para manter a encomenda do governo bolivariano.

O Super Tucano é uma aeronave turboélice com sistemas de rastreamento, de vôo, manobras e armamentos de última geração, o que o coloca na dianteira de similares produzidos no mundo. O avião traz inovações em treinamento virtual de armamentos e sensores, com cinco pontos sob as asas e fuselagem que permitem carregar até 1,5 mil kg de uma extensa gama de armamentos (convencionais e inteligentes). O Super Tucano pode operar em ambientes hostis a partir de pistas em condições precárias, tanto de dia como de noite, o que o torna o equipamento de defesa mais apropriado para o território acidentado da Venezuela. Para os EUA seria desaconselhável um poder de fogo equivalente a uma esquadrilha de super tucanos, nas mãos de um governo "visto por muitos de seus vizinhos como um perigo", como afirmou o ex-chefe da diplomacia norte-americana para a América Latina Otto Reich.

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