As novas sanções impostas ao Irã por causa do seu programa nuclear estão apertando o cerco a Teerã, disseram autoridades norte-americanas na terça-feira. Segundo eles, um número cada vez maior de empresas do setor privado soma-se aos bancos que têm evitado manter os laços com a República Islâmica. "Praticamente todas as principais instituições financeiras ou cortaram por completo ou reduziram drasticamente os laços com o Irã," disse o subsecretário do Tesouro dos Estados Unidos, Stuart Levey, numa audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado.
"Agora estamos começando a ver companhias de uma série de setores, incluindo as de seguros, consultoria, energia e manufatura tomando decisões similares," afirmou Levey no depoimento.
Levey disse que as novas medidas --incluindo as sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovadas há duas semanas e as medidas adicionais propostas pelos EUA e pela União Europeia-- estavam criando um "risco à reputação" para as empresas com laços com o Irã e isso estava reforçando as iniciativas do governo para pressionar Teerã.
"O setor privado realmente está percebendo que, se fizer negócio com o Irã, vai se colocar sob um risco enorme," disse Levey.
As novas sanções da ONU colocam numa 'lista negra' dezenas de indústrias, companhias militares e de navegação iranianas, restringem ainda mais um embargo de armas e prevêem a inspeção de cargas suspeitas oriundas e com destino ao Irã.
Rússia e China, que mantêm fortes laços econômicos com Teerã e chegaram a resistir à imposição das sanções, apoiaram a decisão final, mas conseguiram diluir a esperança do Ocidente por medidas mais duras contra o setor de energia do Irã.
O Irã nega as acusações do Ocidente de que busca desenvolver armas atômicas e insiste que deseja apenas obter energia nuclear para fins pacíficos.
O subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, disse ao comitê que as novas medidas econômicas contra o Irã estavam ajudando a "aguçar as escolhas" para a liderança iraniana e que os EUA estão abertos a conversar sobre o programa nuclear do país persa se Teerã responder às sérias preocupações internacionais.
"A porta está aberta para uma negociação séria, se o Irã estiver preparado para passar por ela," disse Burns. "Há uma pressão internacional crescente sobre o Irã para que cumpra com suas obrigações e um isolamento internacional crescente para o Irã caso não faça isso."