Há um fantasma que ronda as crianças no começo de todo ano letivo: a volta às aulas. Em Eu e Meu Guarda-Chuva, de Toni Vanzolini, esse medo se materializa na figura de um barão que assombra o prédio da nova escola. O roteiro é baseado no livro infanto-juvenil escrito pelo titã Branco Mello, o ator Hugo Possolo e o músico e escritor Ciro Pessoa. Por seu universo de fantasia e aventura, muito se comparou Eu e Meu Guarda-Chuva à série Harry Potter. Mas a produção brasileira, que estreia em circuito nacional, sustenta-se sozinha, sem precisar de paralelos ou comparações -- especialmente por conta do ritmo que o diretor imprimiu ao filme. Em sua essência, o longa é uma aventura e os personagens quase nunca estão parados - mas isso não quer dizer uma correria infinita ou sem sentido. Desde o princípio, a história ganha ares de fantasia - seria realidade? Um sonho? Pouco importa, pois Vanzolini consegue fazer com que embarquemos nesse universo onde barões saem de dentro de pinturas e assombram crianças, guarda-chuvas são armas e o amor precoce é só o primeiro passo para a vida adulta. No centro da história está Eugenio (Lucas Cotrin), que vive com a mãe e sente saudades do avô que lhe deixou como herança um guarda-chuva. Seu amor secreto é sua amiga de escola Frida (Rafaela Victor), seu melhor amigo é o atrapalhado Cebola (Victor Froiman). Na noite anterior da volta às aulas, o trio resolve conhecer a nova escola, quando descobrem que o Barão von Staffen (Daniel Dantas, de Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos) fugiu do quadro do saguão e mantém crianças em cativeiro. Frida acaba sendo raptada e cabe a Eugenio, com a ajuda de seu guarda-chuva e de Cebola, salvar a menina e as outras crianças, que são submetidas a duros testes de conhecimentos. A aventura ganha ares surrealistas e viaja por alguns cantos do mundo. Nessa jornada, a dupla cruza com personagens estranhos no Brasil e em Praga. O ex-titã Arnaldo Antunes tem uma participação engraçada, como um sujeito metódico que cuida do setor de achados e perdidos. Sob os cuidados dele, tudo o que se perde pode ser encontrado - embora possa levar algum tempo. Já Paola Oliveira (Budapeste) é uma comissária de bordo, num dos momentos mais surreais do filme. Experiente diretor de arte (Eu Tu Eles, O Homem do Ano), Vanzolini estreia na direção de cinema com segurança num gênero negligenciado pelo cinema brasileiro: o filme infantil e infanto-juvenil, que tem se limitado às produções protagonizadas por Xuxa e afins. Eu e Meu Guarda Chuva combina ação e aventura com personagens bem construídos e interpretados por um elenco estreante de talento, sob uma direção segura, capaz de manter o ritmo e o interesse pela narrativa. A combinação de um tom um pouco sombrio, com piadas tipicamente juvenis, têm tudo para agradar ao público-alvo sem entediar os adultos, especialmente porque Eu e Meu Guarda Chuva não agride a inteligência de ninguém - muito pelo contrário.
"Eu e Meu Guarda-Chuva" encanta com história de fantasma
Em Eu e Meu Guarda-Chuva, de Toni Vanzolini, o medo de fantasma que ronda as crianças no começo de todo ano letivo se materializa na figura de um barão que assombra o prédio da nova escola. O filme combina ação e aventura com personagens bem construídos e interpretados por um elenco estreante de talento, sob uma direção segura, capaz de manter o ritmo e o interesse pela narrativa.
Sexta, 08 de Outubro de 2010 às 08:12, por: CdB