A disputa por postos importantes no governo interino do Iraque, que pode já estar formado daqui a dez dias, vem aumentando, dizem representantes da ONU e das forças de ocupação.
A competição entre xiitas, curdos e sunitas é o maior obstáculo enfrentado pelo enviado da ONU, Lakhdar Brahimi, na formação do novo governo. Ele quer que as lideranças estejam definidas um mês antes da transferência de soberania aos iraquianos, programada para o dia 30 de junho.
Autoridades das forças de ocupação e da delegação de Brahimi no Iraque disseram que o objetivo ainda pode ser alcançado, mas ainda não há consenso sobre os nomes do presidente e do primeiro-ministro, cargos disputados pelos grupos.
"Há nomes em debate, sob consulta, mas ainda não há a definição de nomes para cargos," disse o porta-voz de Brahimi, Ahmad Fawzi.
Especula-se que o primeiro-ministro venha da etnia xiita, que representa a maioria da população iraquiana, e que o presidente seja sunita, mesma etnia do ex-presidente Saddam Hussein.
Mas os curdos -- que querem preservar a relativa independência de que desfrutaram no país desde 1991 -- também pleiteiam um dos cargos.
"Não vamos aceitar nada menos que a Presidência ou o cargo de primeiro-ministro," disse Adel Murad, subordinado do líder curdo Jalal Talabani, que é membro do Conselho de Governo, formado pelos EUA.
Também não se sabe ainda a extensão exata da soberania que será entregue aos iraquianos no fim de junho. Uma nova proposta de resolução ao Conselho de Segurança da ONU não estabelece datas para que as tropas lideradas pelos EUA deixem o Iraque, mas define uma revisão sobre o assunto no prazo de um ano.
A proposta dos EUA e da Grã-Bretanha diz que o Iraque vai controlar as receitas provenientes da venda de petróleo, mas que ainda haverá auditorias de um conselho internacional para assegurar aos países doadores de dinheiro ao Iraque que a ajuda financeira esteja sendo usada corretamente.
Os "candidatos" a cargos importantes no governo interino parecem estar dispostos a ser flexíveis quanto à permanência de tropas norte-americanas no país, em troca de que a soberania entregue seja realmente plena, principalmente no que diz respeito ao petróleo.
"Isso significa controle total sobre os recursos do país, principalmente petróleo e o DFI (Fundo de Desenvolvimento para o Iraque)," disse Murad. Segundo ele, tanto curdos como xiitas vão tentar obter permissão para manter suas milícias, o que contraria as intenções dos EUA.