Rio de Janeiro, 27 de Agosto de 2026

Etanol segue como aposta das montadoras agrícolas

Alguns dos grandes projetos no Brasil das gigantes do setor de máquinas agrícolas continuam tendo o potencial do etanol como justificativa para o investimento, apesar de o produto ter saído da última entressafra no Brasil com a imagem arranhada pela baixa oferta e preços nas alturas.

Sexta, 06 de Maio de 2011 às 09:14, por: CdB
Alguns dos grandes projetos no Brasil das gigantes do setor de máquinas agrícolas continuam tendo o potencial do etanol como justificativa para o investimento, apesar de o produto ter saído da última entressafra no Brasil (novembro a abril) com a imagem arranhada pela baixa oferta e preços nas alturas. Executivos das companhias acreditam que os problemas verificados nos últimos meses, que fizeram com que o biocombustível fosse alvo de pesadas críticas, foram pontuais e deverão ser superados nos próximos anos. Os preços do etanol dispararam nos primeiros meses deste ano devido à conjunção de vários fatores, como a relativa maior lucratividade do açúcar, o rápido encerramento e a menor produtividade da safra passada de cana e o grande consumo vindo da crescente frota de veículos flex. Como o produto é misturado à gasolina, no caso do etanol anidro, a alta dos preços também afetou o derivado do petróleo e acrescentou pressão inflacionária, para a insatisfação do governo. Entre os principais projetos para o setor, mostrados na Agrishow, maior exposição latino-americana de tecnologia agrícola, estão máquinas para uso nas lavouras e inovações em motores para permitir utilização do etanol. A Fiat Powertrain, unidade de motores do conglomerado italiano, está testando motores que usarão diesel e etanol ao mesmo tempo. A idéia é que as unidades equipem tratores da montadora agrícola do grupo, a Case IH. Como o diesel e o etanol são produtos bastante heterogêneos, isso não permite, como ocorre nos veículos flex, que sejam misturados. Os dois vão precisar de tanques e linhas de injeção de combustível separados nos veículos, o que mostra a maior complexidade desses projetos. – Teremos um motor pesado que usará etanol em um período de dois anos –, disse César Di Lucca, diretor comercial da Case para América Latina. Projeto similar é desenvolvido pela Agco, com o objetivo de equipar os tratores da marca Valtra. – Estamos trabalhando para lançar o trator com o motor'dual fuel' (diesel e etanol) no ano que vem, se os testes chegarem onde queremos –, afirmou Jak Torreta, diretor de Produtos da Agco para a América do Sul. Um trator com motor a etanol seria economicamente interessante para uso pelas usinas, que utilizariam o combustível que produzem. Não deverá ser viável para outros agricultores, já que a autonomia do etanol é muito menor que a do diesel. A Iveco, também do grupo Fiat, apresentou na feira um motor 100% movido a etanol, que ela pretende usar em caminhões para vender a usinas. MÁQUINAS Além do motor diesel/etanol, a Agco está no estágio final de desenvolvimento de uma colhedora de cana. Ela é a última das três grandes do setor (Case e John Deere) a produzir esse tipo de equipamento. – Realisticamente seria para lançar no final do ano que vem –, afirmou o vice-presidente para América do Sul da Agco, André Muller Carioba. – Sendo o último dos três a lançar, eu não quero colocar uma máquina no mercado que tenha qualquer problema, então quero estar bem preparado.  Carioba vê ainda um enorme potencial na área de cana e um avanço grande na mecanização. As usinas paulistas assinaram um protocolo com o governo do Estado se comprometendo a eliminar a colheita manual (e a queima da cana) até 2014 em áreas sem grandes declives. No ano anterior à assinatura do protocolo, a mecanização da colheita de cana-de-açúcar era de 34% Na safra 09/10 passou para 55% e na safra passada para 61%. John Deere e Case lançaram novos modelos de colhedoras na Agrishow e a Deere também apresentou uma plantadeira de cana não convencional, chamada Greensystem. Projetada para trabalhar com um sistema criado pela Syngenta, ela usa mudas pequenas, de cerca de 4 cm, no lugar de mudas com 40 cm empregadas no sistema tradicional de plantio. Segundo a fabricante, torna o plantio mais rápido e econômico. Os canaviais brasileiros estão, de maneira geral, envelhecidos, já que usinas têm adiado a renovação devido à grande demanda e à recente escassez de crédito após a crise financeira. O replantio de cana deve ganhar força nos próximos anos.
Tags:
Edições digital e impressa