O mercado de gasolina para veículos leves no Brasil encolherá para 17% até 2020, ante pouco menos de 50% do total registrado atualmente, com o avanço do etanol decorrente do crescimento esperado da frota de carros flex fuel no país, previu nesta terça-feira o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.
Ao mesmo tempo, o etanol utilizado nos veículos flexíveis (hidratado) atingirá 75% do mercado total de combustíveis até 2020, enquanto o diesel responderá por 7% das vendas e o álcool anidro, por apenas 1%, de acordo com dados apresentados durante palestra no Ethanol Summit.
– O etanol no Brasil cresce por decisão do consumidor, a existência do carro flex fuel mudou o panorama... Os postos de gasolina deveriam ser chamados de postos de etanol – declarou Gabrielli.
Segundo o presidente da Petrobras, o crescimento da frota flex fuel - atualmente, cerca de 90% dos carros novos são flexíveis - só é e será possível porque o Brasil é um país 'único' em termos de disponibilidade do biocombustível.
Em função dessa característica do mercado brasileiro de combustíveis, e também da ampla infraestrutura que o Brasil tem para distribuir o etanol, Gabrielli afirmou que 'dificilmente teremos no mercado global o que teremos no Brasil'.
Mesmo assim, ele avalia que o uso de etanol no mercado mundial crescerá de 5 a 15% nos próximos dez anos.
– Estamos prevendo um aumento de dez vezes no fluxo de comércio mundial (de etanol). Isso vai modificar a posição do Brasil e dos países do Sudeste Asiático (como fornecedores) – acrescentou.
Já o encolhimento esperado para o mercado de gasolina no país, segundo Gabrielli, levará a companhia a optar por não produzir o produto nas cinco novas refinarias que construirá na próxima década.
– Vamos construir cinco novas refinarias até 2017... as cinco novas refinarias serão otimizadas não para produzir gasolina, mas outros produtos. Mas vamos continuar produzindo gasolina nas outras refinarias – disse.
Questionado se uma menor parcela de mercado para a gasolina interferiria nos planos da Petrobras para o pré-sal, ele afirmou que, com os novos campos abaixo da camada de sal, a estatal prevê aumentar a produção em 1,8 milhão de barris/dia.
Mas ponderou que esse aumento no volume seria pequeno relativamente ao crescimento da demanda internacional por petróleo, indicando que o excedente será exportado.
– Além do aumento da produção de petróleo e gás, as novas refinarias aumentarão a capacidade de refino do Brasil dos atuais 1,9 milhão para 3,2 milhões de barris/dia. Isso significa que vamos processar uma quantidade maior do nosso petróleo, só que não serão refinarias que vão produzir tanta gasolina, vão produzir óleo diesel, querosene para aviação, GLP e outros produtos.
A Petrobras prevê aumentar sua produção total, até 2020, dos atuais 2,4 milhões de barris para 5,7 milhões de barris diários, em média, com a maior parte do aumento vindo do pré-sal.