O grupo terrorista e separatista ETA afirmou nesta sexta-feira que o processo de paz no País Basco esta em "situação de crise" e culpou a atitude "mesquinha" do Partido Socialista (PSOE), governista, e do Partido Nacionalista Basco (PNV).
Um comunicado divulgado no site do jornal basco Gara avisa que o "ETA responderá se continuarem os ataques contra Euskal Herria" (que inclui o País Basco espanhol e francês e a região de Navarra).
O ETA (Euskadi Ta Askatasuna, ou Pátria Basca e Liberdade) afirma que, quase cinco meses depois da suspensão de suas ações armadas, "a atitude mesquinha dos partidos" levou o processo de paz a uma situação "grave".
O grupo aponta como responsáveis os partidos PSOE e PNV (que está no governo do País Basco). Os dois são acusados de "esvaziar o conteúdo" do processo de paz, "atrasar os passos a serem dados" e de agir "de acordo com seus interesses".
O PSOE, acrescenta, "quer desenvolver seu próprio modelo de Estado e transformar o processo em mero instrumento para continuar no poder".
Impasse
A ETA mantém os objetivos anunciados em sua declaração de "cessar-fogo" de 22 de março, mas exige "compromissos e decisões claras" e avisa que o processo está num "impasse".
Além das críticas ao Executivo espanhol, o grupo culpa o governo francês pela situação. Nos últimos meses, "não cessaram os seus ataques contra os cidadãos bascos", disse a organização, referindo-se a recentes detenções de militantes.
A ETA declarou um "cessar-fogo permanente" em março, criando a expectativa do fim da violência do grupo, que em quatro décadas causou mais de 800 mortes.
O chefe de governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, anunciou em junho passado a abertura de conversas com o ETA, o que não impediu a polícia e a justiça de agir contra seus ativistas.
Rio de Janeiro, 01 de Abril de 2026
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