O grupo armado separatista basco ETA disse em comunicado publicado no domingo que apóia as negociações com a Espanha, mas não fez menção à entrega de armas antes do início dos debates, conforme o governo exige.
O comunicado do grupo clandestino, publicado no jornal basco Gara, foi emitido depois de declarações de políticos bascos de que o ETA pode estar disposto a pedir um cessar-fogo.
O ETA matou mais de 800 pessoas desde 1968 em campanha de explosões e ataques a tiros por um estado independente no território basco, no norte da Espanha e no sudoeste da França.
Espanha, Estados Unidos e União Européia classificam o grupo como terrorista.
O ETA disse que apóia uma proposta de paz feita em novembro pelo Batasuna, partido político radical colocado na ilegalidade por se recusar a denunciar a violência do ETA. O partido propôs negociações "exclusivamente políticas e democráticas" para "tirar o conflito das ruas".
O ETA afirmou que está "perfeitamente disposto a participar de um processo com essas características" e que é "essencial que toda a sociedade tenha a chance de participar de tal processo".
O ministro da Defesa da Espanha, Jose Bono, rejeitou as declarações do ETA e do Batasuna, afirmando que eles precisam acabar com a violência.
"Não dá para falar com alguém com uma arma na mão... Ninguém com sensibilidade pode sentar-se com essas pessoas", disse ele à rádio Cadena Ser.
A proposta do Batasuna de 14 de novembro é a "contribuição política mais sólida já proposta frente ao conflito entre o grande País Basco e os governos (da Espanha e da França)", disse o ETA.
O comunicado não fez referência ao pedido feito na sexta-feira pelo Batasuna por negociações de paz diretas entre o governo e o ETA nem à possibilidade de depor armas.
O governo também rejeitou um plano do premiê regional basco para dar "status de associação livre" às províncias bascas, que seria algo muito próximo da independência.
O comunicado do ETA assumiu a responsabilidade por uma série de explosões nos últimos meses, que não deixaram vítimas, mas negou que tenha sido responsável pelo falso alarme que provocou a evacuação do estádio de futebol do Real Madri e a suspensão da partida.