Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Estudos propõem uso de metano para produção de energia

O aproveitamento do metano emitido pelos reservatórios de hidrelétricas pode aumentar a capacidade de geração energética dessas usinas, concluem pesquisas de duas instituições brasileiras. Elas propõem a captação e queima desse gás para produção de energia elétrica. (Leia mais)

Sexta, 02 de Novembro de 2007 às 15:55, por: CdB

O aproveitamento do metano emitido pelos reservatórios de hidrelétricas pode aumentar a capacidade de geração energética dessas usinas, concluem pesquisas de duas instituições brasileiras. Elas propõem a captação e queima desse gás para produção de energia elétrica.
Nas represas dessas usinas, o metano é produzido pela ação de bactérias na decomposição da matéria orgânica que ficou submersa com a formação do lago – florestas inteiras, em alguns casos.

Pelos cálculos de um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o incremento na produção pode chegar a 30%. De acordo com o pesquisador do Inpe Luis Bambace, um dos autores do estudo, todas as hidrelétricas do planeta são responsáveis por emissões entre 14 milhões e 24 milhões de toneladas de metano por ano. O potencial de aquecimento do metano é cerca de 20 vezes maior que o dióxido de carbono, gás conhecido como o grande vilão efeito estufa. Desse modo, outro efeito esperado com o aproveitamento energético é a redução dos impactos dessas estruturas no aquecimento global.

Cerca de 1% do metano das hidrelétricas é liberado pela superfície do reservatório, mas as maiores quantidades, concentradas nas partes mais profundas, são lançadas na atmosfera quando a água passa pelas turbinas e vertedouros (aberturas por onde escoa a água da represa).

– Na hora em que você baixa a pressão, acontece uma coisa similar a uma garrafa de refrigerante quando é aberta: o gás é eliminado com força – explica Bambace.

Para evitar que o gás chegue à atmosfera, a idéia do grupo do Inpe é capturá-lo no fundo da represa e para isso, os pesquisadores defendem soluções baratas, como a instalação de lonas e bóias para construir uma barreira física e impedir que águas profundas cheguem às turbinas e vertedouros. Sem a possibilidade de escape, o gás ficaria concentrado no fundo do reservatório.

– Esse aumento de concentração viabiliza alguns processos de extração comercial de metano – diz Bambace.

A água rica em metano seria transportada, por tubulações, para a superfície até estruturas preparadas para colher o gás.

– Para extrair, é possível fazer borbulhar o gás, ou gerar névoa por meio de nebulizadores de impacto: você gera névoa e faz o metano se difundir para dentro de um vaso, uma coluna de absorção – explica.

Segundo Bambace, partes do modelo experimental já estão sendo testadas em laboratório, mas a construção do mecanismo depende da usina em que ele vai operar e dos resultados de mitigação das emissões na superfície.

– Estamos em negociação com alguns grupos para intensificar a monitoração de carbono em várias represas, nas regiões Norte, Sul, Sudeste e no exterior – adiantou.

Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o biólogo Alexandre Kemenes também patenteou uma tecnologia para aproveitamento de metano em hidrelétricas. Diferentemente do grupo de Bambace, o pesquisador avalia ser mais eficiente retirar o gás quando a água passa pelas turbinas da usina, não no fundo dos reservatórios.

– Imagino que as turbinas facilitariam a coleta do metano porque a área de saída é uma região bem pequena, poderia ser feita uma barreira física para segurar todo aquele gás – comenta.

Para Kemenes, apesar das diferenças, os dois modelos são aplicáveis, dependendo do tamanho da hidrelétrica.

– O nosso se aplica a uma área bem reduzida. Em Tucuruí, por exemplo, por causa do fluxo [de águas nas turbinas] muito intenso, seria melhor interceptar o gás com o método deles [Inpe] – compara.

Empresas brasileiras de operação de hidrelétricas já demonstraram interesse pela tecnologia, segundo Kemenes, mas o pesquisador prefere não arriscar um prazo para o início do aproveitamento:

– Depende de investimento: de quem quer investir, do quanto querem investir.

Na avaliação do pesquisador, estimular esse tipo de tecnologia pode ser uma opção mais

Tags:
Edições digital e impressa