Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

Estudo revela que demora na denúncia piora agressão contra mulheres

Quarta, 23 de Junho de 2004 às 11:22, por: CdB

As agressões contra mulheres que demoram a denunciar o agressor podem piorar com o tempo. Essa é a conclusão de um estudo feito pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp), unidade técnica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa mostrou que 53,1% das mulheres vítimas de agressões graves de origem sexual viviam há mais de dez anos com o agressor.

Nas mulheres com até cinco anos de união, o percentual de agressões cai para 16,9%, quando de origem sexual, e 26,7% nas de origem física e psicológica. Foram analisados os prontuários de 684 mulheres atendidas no Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam) entre 1999 e 2000. A unidade fica no Rio de Janeiro e presta atendimento psicológico, social e jurídico a vítimas de violência doméstica e sexual.

"Na verdade, essa é uma característica muito específica da população que nós estudamos, elas têm em média 12 anos de união com o agressor", afirma a autora do estudo, Jurema Mota. As mulheres pesquisadas também têm por volta de 37 anos e 92,8% têm filhos.

A psicóloga da Universidade de Brasília (UnB) Suely Guimarães estranha a informação de que a maioria das mulheres vivia com os agressores há mais de dez anos. "É estranho que a mulher tenha permanecido na relação esse tempo todo, porque provavelmente ela é agredida e violentada ao longo desses dez anos", afirma.

Uma das explicações possíveis é a baixa escolaridade das mulheres avaliadas. O estudo revelou que 66% só estudou até o ensino fundamental e tanto vítimas quanto agressores costumam exercer profissões de baixa qualificação.

"O fato de ter baixa escolaridade geralmente é um indicador de baixo nível socioeconômico, então ela pode ser financeiramente dependente desse agressor", afirma Suely. Segundo ela, esse pode ser um dos motivos para que a mulher não abandone o cônjuge agressor.

Denunciar e procurar ajuda é, para Jurema Mota, a única saída para melhorar a situação das vítimas. "A recomendação principal é a mulher tomar alguma iniciativa no início do comportamento violento do agressor. O que ela não pode é deixar a situação de violência se repita, porque como mostrou o nosso estudo, essas agressões vão se tornando progressivamente mais graves ao longo do tempo".

Tags:
Edições digital e impressa