Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Estudo indica diminuição do corte de árvores na Amazônia

Quarta, 30 de Março de 2005 às 15:11, por: CdB

Estudo da organização não-governamental Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia) indica crescimento das exportações de madeira da Amazônia e, ao mesmo tempo, diminuição do corte de árvores. A pesquisa será apresentada nesta semana na Câmara dos Deputados

Segundo o pesquisador do Imazon, Adalberto Veríssimo, o diagnóstico sobre o setor madeireiro da Amazônia Legal em 2004 levou a três conclusões. Primeiro, a queda de consumo da madeira em relação a 1998, quando o instituto fez pesquisa semelhante. Naquele ano, o Brasil extraía da Amazônia 28 milhões de metros cúbicos de madeira.

- Nós passamos para 25 milhões de metros cúbicos de madeira em tora, ou seja, caímos no consumo de matéria prima - observa ele, ressaltando que, por outro lado, mantivemos o mesmo volume de madeira final, processada, ou seja, em tábua, cerrada, pisos e decks.

Dessa forma, foram poupados 3 milhões de metros de madeira, produzindo o mesmo volume final. "Para se ter uma idéia, isso significa que poupamos mais ou menos 950 mil árvores.

O segundo dado: as exportações de madeira da Amazônia, que em 1998 eram de US$ 350 milhões, pularam para aproximadamente R$ 1 bilhão em 2004. O pesquisador do Imazon diz que isso tornou as exportações de madeira da Amazônia equivalentes às exportações de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce. O terceiro resultado, segundo Veríssimo, é que "a Amazônia também aumentou a produção de madeira beneficiada (piso, forro, móvel) que era da ordem de US$ 12 milhões apenas para cerca de US$ 180 milhões".

O pesquisador diz, entretanto, que o país ainda precisa enfrentar a questão fundiária na região.

- Para a Amazônia ter um patamar de produção florestal competitivo economicamente, nós precisamos ter um marco legal que dê respaldo à legalidade da produção de madeira na Amazônia.

Ele defende o aumento da participação da madeira extraída da Amazônia no mercado internacional com produtos de valor agregado e ecologicamente corretos.

- Para isso, tem que se enfrentar a questão fundiária que hoje é o grande nó para o desenvolvimento da Amazônia.

Sobre o projeto de lei sobre a gestão de florestas públicas, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, Veríssimo considera a proposta um divisor de águas.

- Se for aprovado, atende ao sentido de urgência da Amazônia.

Na opinião dele, o projeto tem o apoio de segmentos sociais, ambientais e empresariais da região.

- Foi um grande pacto pela legalidade e pelo estabelecimento de um marco que pode dar um novo rumo à produção na Amazônia.

O projeto, encaminhado ao Congresso no dia 17 de fevereiro, prevê a disponibilização de até 13 milhões de hectares de florestas na Amazônia para concessão de uso sustentável nos próximos 10 anos. O objetivo seria combater a grilagem e impedir a privatização das terras públicas.

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