Um estudo com macacos realizado pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, mostrou que o uso constante do ecstasy pode danificar importantes células cerebrais e levar ao desenvolvimento do mal de Parkinson. Os usuários dessa pílula ilegal costumam tomá-la várias vezes ao longo de uma noite de festa. Mas alguns pesquisadores disseram acreditar que o resultado do estudo com animais pode não ser adequadamente transferido para seres humanos, o que acabaria prejudicando outras pesquisas sobre o possível uso terapêutico do ecstasy. Um dos pesquisadores da Johns Hopkins, Dr. George Recaurte, deu três injeções de ecstasy em sagüis e babuínos, com intervalos de uma hora entre cada dose. A droga, também conhecida como MDMA, foi aplicada na mesma quantidade que seus usuários costumam consumir nas festas. O cientista disse que a droga causou danos aos neurônios produtores de dopamina nos cérebros dos animais. O dano era ainda evidente de duas a seis semanas após a experiência, segundo o Dr. Recaurte, principal autor do estudo, publicado na revista Science. Mas o especialista afirmou não ter ficado claro se os neurônios se regenerariam, o que seria um fator-chave para saber se o ecstasy pode causar o mal de Parkinson, um distúrbio cerebral provocado pela perda permanente de neurônios produtores de dopamina. "Nós já sabemos pela literatura médica que a dopamina cai com a idade. Um indivíduo jovem que lesiona essas células de dopamina e esgota suas reservas pode correr grande risco de desenvolver o mal de Parkinson", disse o pesquisador. Mas a Dra. Julia Holland, psiquiatra da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, afirmou que estudos anteriores com humanos não conseguiram mostrar que o ecstsay causa danos permanentes aos neurônios produtores de dopamina. "'É um grande salto extrapolar o que ele está vendo nesses primatas e o que se pode esperar ver na síndrome de Parkinson", disse a especialista, autora de um livro sobre os riscos do uso não-terapêutico do ecstasy. Já o Dr. Alan I. Leshner, ex-chefe do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, disse, porém, que o estudo da Universidade Johns Hopkins mostra "que mesmo o uso ocasional do ecstasy pode levar a significativos danos aos sistemas cerebrais. Stephen Kish, pesquisador da Universidade de Toronto e especialista em mal de Parkinson e em ecstasy, disse que analisou o cérebro de um usuário da droga, morto há dois anos, e não encontrou provas de danos aos neurônios que produzem a dopamina. "A descoberta de Recaurte realmente causa a preocupação de que o ecstasy possa prejudicar a produção de dopamina e potencialmente causar o mal de Parkinson", disse Kish. Mas o cientista acrescentou que o atual estudo "pode não ser transferido para humanos"e não provou haver uma ligação clara entre a droga e a doença neurológica. No estudo, os animais receberam seis miligramas por cerca de cada quilo de peso. Um dos cinco macacos e um dos cinco babuínos usados no estudo morreram logo depois de receber as doses. Os cérebros dos animais sobreviventes foram examinados com microscópios e quimicamente depois de duas a oito semanas. "Não houve um único animal que escapasse das lesões nas células de dopamina", enfatizou Recaurte. O pesquisador disse que os danos não foram suficientes para causar os sintomas do mal de Parkinson, mas que existe uma "preocupação clínica" de que o repetido uso do ecstasy venha a diminuir a reserva natural de células cerebrais e leve à doença precocemente. A Dra. Holland afirmou que o estudo com sagüis e babuínos não se relaciona à experiência de humanos que fazem uso recreativo do ecstasy. "A dose que ele deu matou 20 por cento dos animais imediatamente. Ficou claro que aqueles animais reagiram à droga diferentemente dos humanos porque um em cada cinco usuários de ecstasy não morre", rebateu a psiquiatra. Além disso, segundo ela, o estudo foi feito com a droga em sua forma injetável,
Estudo encontra relação entre ecstasy e o mal de Parkinson
Terça, 01 de Outubro de 2002 às 21:24, por: CdB