Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

Estudo do Inpe conclui que o rio Amazonas é o maior do mundo

Segunda, 13 de Fevereiro de 2006 às 09:00, por: CdB

A disputa dos rios Amazonas e Nilo, no Egito, pelo posto de maior do mundo ganhou um novo elemento: as conclusões do Projeto PanAmazônia, desenvolvido por cinco pesquisadores da Divisão de Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com o uso de imagens de satélites da Nasa, a agência espacial norte-americana, eles desenvolveram uma metodologia universal de medição do comprimento do leito de rios.

- Medimos o Amazonas e o Nilo. Ainda há análises finais a serem feitas. Mas já podemos afirmar que o primeiro é cerca de 40 a 50 quilômetros maior do que o segundo. Não queremos causar polêmica com ninguém, apenas ajudar a descobrir novas verdades do mundo -  disse o coordenador do estudo, o geólogo Paulo Martini.

Nos livros didáticos de Geografia, crianças e jovens de vários países aprendem que o rio Nilo, na África, é o mais comprido da terra, com 6.670 quilômetros. Pela medição do Inpe, ele teria aproximadamente 6.610 quilômetros.

- Ainda precisamos finalizar essa análise, porque há controvérsias sobre em qual ponto do lago Vitória, na Uganda, o Nilo nasce. Dizer apenas que é no lago não basta, porque o Vitória tem 300 quilômetros -  explicou Martini.

A metodologia desenvolvida pelos pesquisadores considera que o leito do rio começa no seu tributário mais distante, não no mais volumoso. Assim, o Amazonas nasceria no rio Ucayalli, que por sua vez vem da fonte Apurimac - não no rio Marañon, como ficou estabelecido pela literatura especializada.

- Os dois pontos ficam na Cordilheira dos Andes, no Peru. Mas a fonte Apurimac é mais próxima ao Oceano Pacífico -  detalhou Martini.

O pesquisador defendeu que, para evitar confusões, a fonte Apurimac, o rio Ucayalli e o rio Solimões deveriam ser chamados de Amazonas - atualmente o nome só é adotado depois que o Solimões recebe as águas do rio Negro, a partir de Manaus. Pelos dados oficiais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rio Amazonas tem 6.570 quilômetros. Pela pesquisa do Inpe, dependendo de quais desvios do rio sejam considerados como leito principal, ele teria 6.627 ou 6.992 quilômetros.

- Vamos apresentar os dados ao IBGE. São eles que decidem se o tamanho oficial será alterado -  explicou Martini. Segundo ele, a apresentação deve ocorrer em julho, mesmo mês no qual está prevista uma expedição dos pesquisadores à Cordilheira dos Andes.

A medição dos rios Nilos e Amazonas vem sendo realizada há seis meses, com recursos do próprio Inpe e do Banco da Amazônia.

- Esse levantamento tradicionalmente era feito com cartas topográficas, construídas a partir de imagens tiradas de aviões e de levantamentos de campo. Muitas vezes essas cartas são antigas e o que aparece nelas já não é o que se encontra na natureza. Além disso, como são informações colhidas de várias fontes, fica difícil comparar rios distantes. A plataforma da Nasa ajudou a resolver esse problema  -  esclareceu o pesquisador Valdete Duarte, participante do projeto.

No Brasil, segundo dados do Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea (PróVárzea/Ibama), cerca de um 1,5 milhão de pessoas vivem nas áreas alagáveis do rio Solimões/Amazonas, no Amazonas e no Pará.

- Eu acho que esses estudos fazem com que o rio seja olhado com mais atenção, com mais carinho por todo o planeta, assim como já é pelo ribeirinho. É possível que a água do Amazonas seja a grande fonte mundial daqui a 50 anos -  opinou Martini.

Tags:
Edições digital e impressa