Ano passado, mais de 900 pessoas foram mortas pela polícia no Rio de Janeiro - um dos Estados mais violentos do País. Em 2003, o número de mortos foi maior que 1,1 mil. No Brasil, a violência policial se repete. Os dados foram colhidos pelo professor Ignácio Cano, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a partir de informações da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Os números nacionais, segundo ele, estão subestimados, porque o repasse desses dados pelas secretarias estaduais à secretaria nacional começou há pouco tempo.
Especialista em violência policial, Ignácio Cano acredita que os policiais matam porque, no Brasil, a segurança é vista como uma guerra.
- Matar faz parte da falta de treinamento, da falta de armas não letais. Os policiais usam cassetetes e armas, quando deveriam usar cães, por exemplo - diz Cano.
Na opinião da presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputada Iriny Lopes (PT-ES), "a polícia mata e muito".
- As estatísticas mostram isso e a cultura predominante nas polícias não é uma cultura cidadã. Ela tem um forte cunho repressor, que é a tradição autoritária do Estado brasileiro - afirma.
Para ela, a violência policial está relacionada à corrupção, à certeza da impunidade, além do autoritarismo.
Na Câmara, tramitam pelo menos quatro projetos de lei que prevêem a inclusão da disciplina "direitos humanos" nos currículos policiais. O objetivo é reduzir os números da violência policial. Os projetos, de acordo com Iriny, estão sendo acompanhados de perto pela comissão. Ela não acredita que eles sejam votados em breve e critica a atual crise política, que emperra os trabalhos da Casa.