Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Estudo brasileiro revela vacina como potencial aliada contra HPV

Uma vacina contra o papilomavírus (HPV), que causa o câncer no colo do útero e verrugas genitais, pode reduzir a infecção em 90%, de acordo com o estudo liderado pela cientista brasileira Luisa Villa, do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer, em São Paulo. Publicado no jornal científico Lancet Oncology, o estudo revela que até 70% das mulheres sexualmente ativas devem contraí-lo em algum momento de sua vida. (Leia Mais)

Quinta, 07 de Abril de 2005 às 06:08, por: CdB

Uma vacina contra o papilomavírus (HPV), que causa o câncer no colo do útero e verrugas genitais, pode reduzir a infecção em 90%, de acordo com o estudo liderado pela cientista brasileira Luisa Villa, do Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer, em São Paulo.

Publicado no jornal científico Lancet Oncology, o estudo revela que até 70% das mulheres sexualmente ativas devem contraí-lo em algum momento de sua vida.

Em entrevista, Villa disse que o câncer do colo do útero é "maligno e invasivo" e, se não for controlado a tempo, pode levar à morte da mulher:


- Esta morte vai ocorrer infelizmente em países em desenvolvimento porque os programas de prevenção - teste papanicolau - não têm cobertura ampla. O outro motivo é porque, infelizmente, quando envolvidas nos tumores, elas procuram auxílio médico em estágios avançados da doença, quando é difícil controlar - afirmou a cientista.

Verrugas genitais

O HPV é uma família de uma centena de vírus, mas o objetivo da vacina é combater os quatro tipos prevalentes, que causam o câncer cervical em mulheres e as verrugas genitais nos dois sexos. Os alvos são os vírus HPV 6 e 11 (responsáveis por mais de 90% das verrugas ânus-genitais tanto em homens quanto em mulheres) e HPV 16 e 18 (que causam quase 70% dos cânceres do colo do útero).

- A eficácia combinada dos quatro tipos de HPV incluídos na vacina é de 90% e, contra as verrugas genitais e nas lesões precussoras do câncer, a eficácia foi de 100%. Apenas mulheres que receberam placebo desenvolveram essa doença, que nenhuma das vacinadas desenvolveu.

Segundo a cientista, embora benignas, as verrugas genitais podem representar um problema maior em pessoas imunodeprimidas, sejam por estar tomando drogas para controlar a manutenção de um transplante, sejam por imunodepressão causada pelo HIV (vírus que causa a Aids).

Testes

Villa e a sua equipe examinaram 1.158 mulheres saudáveis entre 16 e 23 anos e originárias do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos. Elas não estavam grávidas, não tinham problemas cervicais e haviam tido até quatro parceiros sexuais.

Do total de voluntárias, foram escolhidas ao acaso 277 para receber a vacina e outras 275 para receber um placebo. Durante 36 meses, as mulheres foram acompanhadas pela equipe de cientistas, sendo submetidas a periódicos exames ginecológicos. Os cientistas não observaram efeito colateral sério algum entre as voluntárias.

A vacina é feita com base na proteína principal presente na capa do vírus HPV, que é sintetizada em laboratório.

Brasil

O Brasil, segundo a cientista, está em posição intermediária nos programas de prevenção e tramento do câncer cervical. Ela diz que as ações estão concentradas no Sul e no Sudeste do país, mas ainda são deficitárias em áreas rurais e nas regiões Norte e Nordeste.

Atualmente, cerca de 40 mil mulheres contraem o câncer de colo do útero todo ano no Brasil, sendo 5 mil em estado terminal, segundo o Ministério da Saúde. Villa ainda ressalta que o número pode ser maior já que a notificação dos casos não é obrigatória.

No mundo todo, disse a especialista, surgem 500 mil casos novos de câncer do colo do útero por ano. Desse total, mais de 70% em países em desenvolvimento, especialmente nos países africanos e na Índia.

Villa acredita que a vacina possa ser licenciada entre 2006 e 2007, mas destaca que mais testes serão necessários para que isso seja feito.
Na fase atual do teste, estão sendo vacinadas mais de 20 mil mulheres em todo o mundo.

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