Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Estudo aponta desigualdade na cobertura midiática durante primeiro turno das eleições

Segunda, 19 de Setembro de 2011 às 11:11, por: CdB

Ao final do primeiro turno: uma avaliação qualitativa. Esse é o título do mais recente informe de observação dos meios publicado pela Associação Desenvolvimento, Organização, Serviços e Estudos Socioculturais (Doses) sobre a cobertura das eleições guatemaltecas 2011. O estudo, divulgado no último sábado (17), avalia a cobertura midiática do primeiro turno das eleições gerais da Guatemala, realizado no dia 11 deste mês. A segunda rodada das eleições presidenciais está marcada para o dia 6 de novembro entre Otto Pérez Molina, do Partido Patriota (PP), e Manuel Baldizón, do Partido Liberdade Democrática Renovada (Líder).

Na avaliação de Doses, a cobertura midiática destas eleições, assim como nos pleitos passados, deu mais atenção aos candidatos que lideravam as pesquisas de intenção de voto. Dos dez postulantes à presidência, além de Sandra Torres – quem se divorciou do atual presidente Guatemalteco, Álvaro Colom, para tentar se candidatar à presidência e teve o pedido de candidatura negado pela Corte de Constitucionalidade -, os candidatos que receberam mais atenção da mídia na cobertura eleitoral foram os que estavam na liderança das pesquisas de votos, como Otto Pérez Molina, Manuel Baldizón, Eduardo Suger e Harold Caballeros.

"Desta forma, a cobertura midiática acusou desigualdade, acesso desigual em termos de espaço, tempo e relevância para os partidos. Os partidos mais exitosos nas enquetes, um êxito que deve se associar a uma maior cobertura e a um grande investimento na compra de publicidade, foram os que, por sua vez, receberam mais atenção. Um círculo vicioso, porque a variável dos recursos para comprar publicidade determina mais presença nos meios e depois gera uma atenção dos eleitores que é refletida pelas enquetes, as quais, por sua vez, servem de base para determinar a quem [a mídia] cobre”, destaca.

O estudo da Doses ainda chama a atenção para o exercício informativo realizado pela mídia guatemalteca. De acordo com o informe, os meios de comunicação atuaram de duas formas na cobertura eleitoral: na realização de entrevistas com questionários padrões aplicados de forma semelhante para todos os candidatos; e na elaboração de resumos baseados em declarações ou fontes documentais sobre pontos específicos de propostas de governo.

A Associação critica as estratégias utilizadas pelos meios de comunicação por considerar que os jornalistas não confirmaram a veracidade de muitas declarações dos candidatos nem questionaram as afirmações e promessas realizadas pelos postulantes. De acordo com o relatório, as entrevistas não questionavam a validade dos comentários dos candidatos, dando a "impressão que difundiam essas entrevistas era de completa conformidade da parte do meio com o que o candidato declarou”. No caso dos resumos, Doses recorda que os jornalistas não questionaram sobre a correção nem viabilidade de dados e promessas divulgados pelos candidatos.

"É este o tipo de cobertura que a cidadania guatemalteca necessita para ter a informação necessária para formar um critério valorativo sobre os candidatos, os partidos políticos e suas propostas? Em Doses consideramos que não, que este tipo de cobertura, como se disse a princípio, agrega muito pouco quando se compara com as mensagens publicitárias que os partidos pagam”, avalia, destacando a importância da participação popular no debate político e da produção de materiais jornalísticos mais aprofundados.

Eleições 2011

As eleições gerais guatemaltecas ocorreram no último dia 11. Mais de 7 milhões de eleitores e eleitoras foram às urnas para eleger presidente e vice-presidente, 333 prefeitos, 158 deputados e 20 representantes do Parlamento Centro-Americano. Entretanto, ainda não foi dessa vez que a sociedade guatemalteca conheceu o sucessor de Álvaro Colom na presidência do país.

A disputa do segundo turno está marcada para o próximo dia 6 de novembro entre Otto Pérez Molina, do Partido Patriota (PP), quem conseguiu 36,02% dos votos no primeiro turno, e Manuel Baldizón, do Partido Liberdade Democrática Renovada (Líder), segundo colocado na rodada do dia 11, com 23,21% dos votos.

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