Os bebês muito prematuros têm, conforme crescem, o dobro de probabilidades de sofrer problemas graves do que se acreditava, segundo um estudo realizado no Reino Unido e na Irlanda.
Cientistas de Londres e Nottingham chegaram a essa conclusão depois de se ocupar de 1.289 crianças nascidas com menos de 26 semanas de gestação nesses dois países em 1995. Desse grupo, só sobreviveram 308, que foram examinadas pelos médicos ao completarem dois anos e meio e depois de seis anos e meio.
No primeiro exame se descobriu que uma em cada quatro crianças tinha alguma incapacidade ou invalidez, mas que a metade delas não sofria problema algum. No exame seguinte, com seis anos e meio, verificou-se que 22% das crianças sofriam graves problemas, como incapacidade de caminhar devido a paralisia cerebral, cegueira, surdez ou capacidade cognitiva deficiente.
Outras 24% sofriam transtornos de menor gravidade, como casos mais leves de paralisia cerebral, coeficientes intelectuais inferiores aos normais e certos problemas de audição ou de visão. Esse tipo de problemas afeta apenas 1% dos bebês nascidos no tempo normal.
No grupo dos muito prematuros, apenas 20% não mostravam qualquer tipo de transtornos com seis anos e meio de idade, segundo esse estudo, dirigido por Neil Marlow, professor de medicina neonatal da Universidade de Nottingham, e divulgado no último número do New England Journal of Medicine.
O estudo indica, por outro lado, que as crianças tinham mais que o dobro de risco que as meninas: mais de um terço sofria problemas graves ou leves, em contraste com 13% das meninas.
Segundo o professor Marlow, não há, apesar de tudo, motivos para ser muito pessimistas porque no fundo a sobrevivência de crianças tão prematuras constitui já por si só um milagre da medicina moderna e metade dos que sobrevivem não tem mais problemas que os nascidos normalmente.
Estudo adverte sobre riscos que atingem bebês muito prematuros
Quinta, 06 de Janeiro de 2005 às 12:56, por: CdB