Os estúdios de cinema estão adotando novas armas na guerra contra a pirataria de DVDs, enquanto a ampliação da banda larga e as vendas crescentes de aparelhos de DVDs incentivam a cópia ilegal de filmes.
"É muito importante combatermos a pirataria neste momento", diz Matt Grossman, diretor de estratégia digital da Associação das Produtoras de Cinema dos EUA (MPAA). "Apenas um em cada dez filmes se paga nos cinemas. Os estúdios precisam da receita secundária de fontes como os DVDs. A pirataria em discos óticos fez os estúdios perder 3,5 bilhões de dólares em 2003."
Henry McGee, presidente da HBO Home Video, disse que "se formos 'napsterizados', toda a indústria de DVDs nos EUA, que movimenta 20 bilhões de dólares, pode quebrar."
Os executivos dos estúdios estão testando várias armas novas para impedir o acesso dos piratas de DVDs a duas de suas fontes principais: os downloads ilegais e as cópias ilegais.
TÁTICAS NOVAS
As novas estratégias incluem o aumento do policiamento da Internet, a inserção de arquivos falsos (algo conhecido como "spoofing") e o uso de tecnologia de encriptação de DVD. Consta que os estúdios também estão discutindo possíveis relacionamentos com redes peer-to-peer (P2P) para oferecer downloads legítimos.
As defesas são complementadas por uma campanha educativa de longo alcance encabeçada pela MPAA.
A MPAA diz que, além dos 3,5 bilhões de dólares perdidos no ano passado em função das cópias ilegais, um valor inquantificável foi perdido por partilha de arquivos. Uma estimativa provável é que entre 400 mil e 600 mil filmes são descarregados ilegalmente por dia.
Ademais, o aumento rápido das conexões à Internet por banda larga devem alimentar os downloads ilegais.
A Forrester Research informou que até o final de 2003, 19,5 milhões de residências americanas tinham banda larga e projeta que até o final desde ano serão 27,4 milhões, um aumento de 40 por cento. A expectativa é que, até 2009, mais de 68 milhões de residências tenham conexões por banda larga.
Um mecanismo antipirataria para os estúdios envolve o trabalho direto com redes peer-to-peer, com vistas a que se pague por downloads legítimos.
É essa a idéia por trás da Distributed Computing Industry Association (DCIA), de Arlington, Virginia, cujos membros incluem a Sharman Networks (proprietária da rede Kazaa) e cuja meta é comercializar o P2P para distribuição legítima.
Outras redes P2P não filiadas à DCIA também estão investigando a possibilidade de fazer uma distribuição legítima de filmes.
A rede P2P eDonkey, que afirma ter 2 milhões de usuários e fazer 40 milhões de downloads por ano, busca acordos de licenciamento para filmes independentes. Ela é uma das redes de partilha de arquivos mais acessada e seus downloads são mais rápidos.
Sam Yagan, presidente da eDonkey, diz que a empresa vem tendo dificuldade em trabalhar com os grandes estúdios em programas semelhantes. "Nenhum dos grandes estúdios concordou em nos licenciar seu conteúdo para que o vendamos", observou.