As principais avenidas de Salvador ficaram congestionadas e tiveram o trânsito bloqueado devido a protestos de estudantes contra o aumento da tarifa (de R$1,30 para R$1,50), que vigora desde o último domingo nos ônibus coletivos de Salvador.
As manifestações, que começaram na última sexta-feira na Praça Municipal e Estação da Lapa, desta vez foram pulverizadas e quase todos os bairros foram afetados.
Quem não pegou engarrafamento teve que esperar por até três horas para conseguir um transporte. O que se viu foram pontos de ônibus lotados, grande filas de veículos e muita gente passando mal dentro de coletivos e carros. Onze ônibus foram depredados durante as manifestações.
Por causas dos transtornos, a Polícia Militar divulgou um nota informando que, a partir desta terça-feira, não vai mais permitir que protestos impeçam o direito de liberdade dos cidadãos, mas na segunda, mesmo com ações exacerbadas dos estudantes, não foram registrados conflitos ríspidos entre eles e os estudantes.
De qualquer modo, os estudantes prometem não esmorecer e marcaram novo protesto para exata terça-feira. Às 13h, haverá uma concentração em frente ao Shopping Iguatemi, de onde partirão em passeata em direção ao Centro Administrativo da Bahia (CAB).
Grêmios dos colégios estaduais Manoel Devoto, Rafael Serravale e Thales de Azevedo confirmaram a presença em 'mais uma manifestação pacífica', como afirma Isabela Duarte, uma das participantes que estuda no Serravale.
Segundo um outro estudante, Lucas Almir Guimarães, a presença da polícia assusta, mas não tira o ânimo do grupo. Para ele, o reivindicação é justa e está tendo apoio da população.
A opinião de Lucas não combina com o dia de caos que Salvador viveu na segunda-feira, tampouco com os transtornos sofridos pela comunidade.
Marilda Silva de Jesus, 35 anos, moradora de Simões Filho, diz ser consciente que gastará mais devido à nova tarifa de ônibus, mas não acredita que atitudes como essas irão solucionar o problema.
- Não adianta, eles não vão baixar o preço assim. Desta forma, quem sai prejudicado é o povão, que acorda cedo, vai trabalhar e quando quer voltar para casa tem que ficar esperando parado no engarrafamento - reclama.
Já conformado com o atraso, o motorista Luiz Lázaro Silva, 32 anos, que faz a linha até Alto de Coutos, acredita que muitos estudantes que bloqueavam seu veículo no Iguatemi não sabiam nem onde fica o destino final de seu coletivo, mas concorda que todos têm o direito de protestar, como também todos tem o direito de chegar em casa.
Os estudantes retomaram a baderna no final da tarde de segunda-feira, quando um grupo que protestava na Avenida ACM, em frente ao Shopping Itaigara, resolveu fechar o trânsito também no Iguatemi e Estação Rodoviária. Eles saíram em passeata, atrasando ainda mais o ritmo dos automóveis.
No Iguatemi, sentaram na faixa principal de pedestres, interditando a via para os coletivos, enquanto os carros de passeio iam sendo desviados para a pista central. Eram 16h, sendo que o movimento já ocupava as avenida desde às 13h40.
Às 18h30, o tráfego foi liberado, mas outra vez fechado às 19h10, com a chegada dos estudantes que estavam na Praça Municipal e Estação da Lapa.
Novamente tudo parado, com o agravante de que, desta vez, não passava ninguém. Segundo o comando da Polícia Militar o engarrafamento gerado no Iguatemi foi até a Estação da Lapa, passando pela Avenida Bonocô, atingindo também toda a Avenida ACM e parte da Garibaldi.
Gente que estava há mais de cinco horas presa dentro do próprio veículo começava a abandoná-los para tentar chegar em casa a pé.
Muitos carros foram trancados e encostados em cima dos canteiros. Outras tantas passavam mal no interior dos coletivos e dos carros. De acordo com algumas lideranças, a idéia era bloquear qualquer um até
Estudantes protestam contra aumento das tarifas de ônibus em Salvador
Segunda, 01 de Setembro de 2003 às 22:27, por: CdB