A direção da Opportrans - consórcio que opera o metrô - assumiu nesta segunda-feira o compromisso de manter o passe livre para idosos e deficientes. Já os estudantes ainda não têm garantias de que o benefício vai permanecer. A empresa alega que precisaria de uma compensação para estender a gratuidade aos 25 mil alunos da rede pública que andam diariamente no metrô. A decisão serve como um combustível a mais para a série de manifestações, que começa nesta quarta-feira na Baixada Fluminense e em Petrópolis, contra o fim da gratuidade no transporte urbano intermunicipal, decidido há uma semana pelos desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça. Na próxima quinta-feira, os militantes prometem parar o Rio. O compromisso da Opportrans foi feito em reunião com o deputado estadual Carlos Minc (PT). - Os diretores asseguraram a manutenção do passe livre para idosos e deficientes, mesmo que não consigamos derrubar a decisão da Justiça que considerou a gratuidade inconstitucional - afirma Minc. Segundo ele, a empresa tem como arcar com o custo de transportar aproximadamente 50 mil pessoas de graça. Para que os estudantes também sejam beneficiados, a Opportrans fez três sugestões ao deputado. - A primeira proposta para compensar a perda é o aumento da tarifa, com autorização da Asep. A segunda é abater o valor correspondente à gratuidade do R$ 1,450 milhão pago anualmente ao estado, como outorga pela concessão. A última é reduzir o que a empresa paga de ICMS pelo consumo de energia - relatou Carlos Minc. Gratuidade será mantida nos trens Por enquanto, estudantes têm apenas a promessa de acesso gratuito aos trens. A SuperVia, que já embute na tarifa o custo do passe livre, afirmou que manterá a gratuidade mesmo após a publicação da decisão do Diário Oficial, no próximo mês. O anúncio da concessionária foi feito após o secretário estadual de Transportes, Augusto Ariston, dizer que tentaria reduzir tarifas de trens e barcas, caso o passe livre fosse suspenso. Com relação aos ônibus, Ariston negocia com empresas e o governo federal uma forma de manter o benefício. Sexta-feira, Minc se reúne com a direção da Barcas S/A. Até que se chegue a um acordo, os estudantes continuarão suas manifestações pelo passe livre. Os preparativos para as passeatas de quarta e quinta-feira já começaram. Integrantes do Movimento Fazendo a Diferença se reuniram, nesta segunda, na Central Única dos Trabalhadores (CUT-RJ), no Centro, para os últimos retoques. - Estaremos em locais estratégicos para criar impacto na sociedade - garante Tiago Santana, um dos coordenadores. Nesta terça, em frente à Escola Municipal Evangelina Duarte Baptista, em Marechal Hermes - onde estudava Kléber Lemos Mendonça Júnior - haverá ato em homenagem ao aluno, morto semana passada.
Estudantes prometem parar o Rio em protesto contra fim do passe livre
Terça, 08 de Julho de 2003 às 08:40, por: CdB