Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Estudantes fazem curso técnico em busca de emprego

Universitários e profissionais com curso superior já procuram cursos técnicos como uma forma de tentar garantir um lugar ao sol no mercado de trabalho. É esse o caso de Tábata Martins, de 19 anos. Sua família queria que ela fizesse Direito mas Tábata decidiu "seguir o coração" e entrou na faculdade de Artes na PUC.

Terça, 02 de Setembro de 2014 às 06:32, por: CdB
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Tábata Martins ficou com medo de não conseguir trabalho apenas com o curso de Artes
Universitários e profissionais com curso superior já procuram cursos técnicos como uma forma de tentar garantir um lugar ao sol no mercado de trabalho. É esse o caso de Tábata Martins, de 19 anos. Sua família queria que ela fizesse Direito mas Tábata decidiu "seguir o coração" e entrou na faculdade de Artes na PUC. - O problema foi que quando passei a conversar com meus colegas sobre o mercado para essa área me bateu aquela insegurança, um medo de ficar sem emprego - conta ela. A solução foi se matricular em um curso técnico de Design Gráfico. - Não dá para esperar cinco anos. Quero ver o quanto antes como é o dia-a-dia da profissão - diz ela. "Além disso, no momento há mais emprego para técnico em enfermagem que para enfermeira formada." Edna Aparecida de Oliveira, estudante do curso superior de Fisioterapia, está cursando o técnico de Massoterapia para trabalhar como autônoma enquanto termina os estudos. Já Rodrigo Fujita, estudante de engenharia, vê no curso de técnico em eletro-eletrônica uma forma de começar a construir uma carreira. - A ideia é tentar entrar em uma empresa como técnico - o que é mais fácil - e depois que conseguir meu diploma de engenheiro, crescer lá dentro - diz. Empregabilidade Entre os fatores que parecem ter influenciado esses alunos a tentar "acumular" certificados técnicos com o diploma de curso superior está, primeiro, a questão da empregabilidade. Uma pesquisa recente da Consultoria ManpowerGroup, por exemplo, concluiu que os cargos técnicos e de profissionais com habilidades técnicas específicas estão entre os postos que as empresas mais têm dificuldades para preencher hoje no Brasil. - Esse é atualmente um dos grandes gargalos da economia brasileira  e quem investir nas qualificações e habilidades técnicas certas vai encontrar muitas oportunidades no mercado - diz Marcia Almstrom, diretora de RH do ManpowerGroup Brasil. O segundo fator que parece fazer a diferença para o "acúmulo" dos certificados é fato do o curso técnico ser gratuito. Todos os alunos acima são estudantes do Pronatec, programa no qual o governo paga para instituições de ensino públicas e privadas proverem cursos profissionalizantes a um público variado, que vai de estudantes e jovens egressos do ensino médio a desempregados, beneficiários de programas sociais e trabalhadores querendo se requalificar. Seu objetivo é reduzir a escassez de profissionais com qualificações específicas e ajudar a ampliar a produtividade do trabalho no Brasil,  embora especialistas critiquem a falta de estudos independentes sobre o impacto do programa tanto para aqueles que buscam trabalho quanto para as empresas que procuram profissionais no mercado. Os estudantes universitários e profissionais com ensino superior não são um público preferencial do Pronatec. Mas ainda assim chegam a representar 25% das 58 mil inscrições em cursos do programa feitas pelo grupo Kroton Educacional, conglomerado que inclui, entre outras, a Faculdade Anhanguera, a Pitágoras e a Uniban. Em parte, alguns desses estudantes de graduação parecem ser atraídos pelo programa também por uma facilidade logística. As faculdades particulares passaram a ser habilitadas pelo governo para oferecer o Pronatec no final do ano passado. A partir de então os universitários dessas instituições começaram a dividir espaço com os estudantes do ensino técnico e passaram ser expostos a propaganda e folhetos informativos dessas faculdades sobre o programa. - Eu já estava por aqui mesmo, então se o curso técnico não tem nenhum custo, porque não me inscrever? - diz Fujita, que também trabalha no laboratório da Faculdade Anhanguera. - Com certeza o curso técnico só vai me ajudar a me qualificar mais.

 
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