Estudantes de 5ª à 8ª séries do Ensino Fundamental e homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) entraram em confronto no pátio da Escola Municipal Armando Arruda Pereira, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, na quarta-feira.
O tumulto começou após uma briga entre alunos no refeitório do colégio.
O prédio da instituição ficou danificado e alguns estudantes foram levados com ferimentos leves ao Hospital Municipal do Jabaquara.
Pais e alunos acusam a GCM de ter se excedido durante a ação. Já policiais da GCM alegam que apenas se defenderam para não serem agredidos.
Um boletim de ocorrência foi registrado no 97º DP (Americanópolis) indicando que cerca de dois guardas-civis e 12 adolescentes teriam sido vítimas de lesão corporal dolosa.
Segundo Elma Lima, do Conselho Tutelar do Jabaquara, cerca de 120 estudantes foram agredidos. O caso deve ser encaminhado à Vara de Infância e Juventude.
Cerca de 600 estudantes, a maioria com idades entre 12 e 17 anos, chegavam para a aula às 15h de quarta-feira quando se depararam com uma briga entre duas alunas.
Um grupo de estudantes entrou na confusão, dando início a um tumulto que fugiu ao controle dos funcionários da escola. A diretora, que preferiu não se identificar, acionou a GCM.
Três guardas-civis chegaram na escola e teriam sido recebidos a pedradas e cadeiradas. Outros dez GCMs foram prestar apoio à equipe.
Segundo os alunos, os guardas chegaram exaltados e batendo em todo mundo.
Um estudante, de 15 anos, disse que foi agredido por um GCM na entrada de sua sala sem motivo aparente.
- Ele bateu na minha perna com o cassetete - afirmou.
Outro aluno, de 14 anos, contou que muitos estudantes jogavam cadeiras e carteiras nos GCMs para impedir que continuassem batendo nos colegas. A diretora da escola disse que tentou proteger os alunos durante o tumulto e não sabe se a GCM se excedeu. Ela também não soube informar se haverá aulas na escola nesta quinta-feira.
O inspetor Gilson Guimarães, da GCM, disse que o efetivo enviado ao colégio foi coagido e agredido ao chegar na escola.
- Os alunos estavam exaltados, atiravam pedras, cadeiras e vasos nos guardas-civis. Eles (os GCMs) apenas se defenderam para não serem agredidos - afirmou.
O inspetor também disse que o caso será encaminhado para a corregedoria da GCM e, se for comprovado excesso, os responsáveis serão punidos.
A diretora da escola disse que este não foi o primeiro confronto entre alunos e GCM na região. Na semana passada, estudantes teriam relatado à diretoria casos semelhantes.
No 35º DP (Jabaquara), uma secretária da escola registrou queixa de agressão contra um aluno. A Secretaria Municipal de Educação informou que irá apurar os fatos.