Mobilizados desde abril,com importantes manifestações que levam milhares às ruas, os estudanteschilenos exigem educação pública e de qualidade, financiada pelo Estado, quedeve destinar 10% do PIB ao setor. Ontem (12), uma carta pontuando exigênciaspara dialogar com o governo sobre estas bandeiras foi entregue ao Ministério daEducação (Mineduc) pela mesa executiva da Confederação Nacional de Estudantesdo Chile (Confech) e o diretório do Colégio de Professores.
O documento foi recebidopelo chefe de gabinete do ministro Felipe Bulnes, Germán Subercaseaux. Oministro informou que não se reuniria com os estudantes devido a "problemas deagenda”.
Nacarta, os estudantes se dizem dispostos a resolver o conflito na educação pormeio do diálogo, mas fazem ressalvas. "No entanto, consideramos que hácondições mínimas e de sentido comum para que este espaço esteja à altura das circunstânciashistóricas e seja coerente com a vontade cidadã de avançar em mudançasestruturais na educação chilena”, frisam.
Eles pontuam quatro medidas que o governodeve tomar para possibilitar o diálogo – adiar o prazo limite para oencerramento do primeiro semestre; suspender os projetos de lei relativos àeducação que estão no Congresso Nacional; transmitir as mesas de diálogo pelatelevisão; e que o Estado não conceda mais recursos às universidades que visamo lucro.
"Sedeve adiar o prazo estipulado para a redistribuição de bolsas de estudo ecréditos, além de recalendarizar o ano escolar, compreendendo que istocorresponde a uma medida de pressão para os estudantes e instituiçõeseducativas”, ressaltam, lembrando que um diálogo construtivo não pode se dar emmeio a pressões.
Tambémé prioritário, para os estudantes, a suspensão da tramitação de projetos de leido Poder Executivo que dizem respeito aos créditos na educação superior.Apontam que há assuntos de fundo que, por isso mesmo, precisam ser discutidosantes de votar estes projetos.
Sobreas transmissões televisivas das negociações com o governo, o movimentoestudantil afirma que se trata de uma obrigação de transparência para com asfamílias chilenas. "Compreendendo que este movimento é de alcance social e é necessárioque a cidadania conheça em detalhes as posturas dos distintos atores e osresultados vinculantes que emanem das discussões”, esclarecem.
Porfim, os estudantes afirmam que não podem mais aceitar o financiamento público ainstituições privadas, que lucram com a educação.
Sobrea entrega da carta, o presidente da Federação da Universidade de Los Lagos,Patricio Contreras, explicou que a atitude do movimento não pode ser vista como"colocar armas no peito das autoridades”, mas como mecanismo para estabelecer "condiçõesmínimas”. Reforçando o argumento, ele lembrou que, em 2006, os estudantes secundaristasda Revolução dos Pinguins haviam confiado em políticos e acabaram sedecepcionando.ponernos pistolas en el pecho conlas autoridades / condiciones mínimas
Já a presidenta da Universidade da Serena,Laura Palma, avaliou que os estudantes tiveram boa acolhida no Mineduc ao exporsuas condições. "Eles estão super abertos a escutar nossas condições eesperamos que o Executiva responda as solicitações”, disse.
Nesta quinta-feira (15) está prevista Assembleiada Confech na Universidade de Valparaíso.
Até amanhã os estudantes participam daparalisação nacional na Saúde, organizada pela Confederação Nacional deFuncionários de Saúde Municipalizada (Confusam). A mobilização teve iníciohoje, na região metropolitana, às 11h, com marcha em direção ao Ministério daSaúde (Minsal), saindo do Bandejon dos Heróis.