Victor Machado
*Colaboração
Um protesto dos estudantes das escolas estaduais de Juiz de Fora chamou a atenção de quem passava pelo Centro, na manhã desta terça-feira, 16 de agosto. Os alunos realizaram uma manifestação em apoio aos professores, que estão em greve há mais de 60 dias, reivindicando a implantação do piso salarial.
O protesto dos estudantes parou o trânsito nas três pistas da avenida Rio Branco, por cerca de 30 minutos. Alguns motoristas e passageiros de ônibus ficaram irritados, mas, com a chegada da Polícia Militar (PM), os alunos liberaram o trânsito. Pouco depois, eles desceram o Calçadão da Halfeld, indo até a avenida Getúlio Vargas, onde também pararam o trânsito. A PM, novamente, fez a intervenção e negociou para que os manifestantes utilizassem apenas uma via da avenida.
Segundo o estudante e um dos líderes do movimento, Elias Arruda, os alunos resolveram apoiar os professores por acharem que eles estavam perdendo força. "Percebemos que o movimento precisava da nossa ajuda e que, na verdade, a categoria está em greve porque busca um direito básico deles."
Greve dos professores estaduais continua por tempo indeterminadoProfessores fazem abaixo assinado por campanha salarialGreve na rede estadual completa vinte dias. Categoria realiza assembleia nesta terça-feiraArruda comenta que uma equipe se organizou durante quatro dias para idealizar o protesto que contou com mais de 50 alunos. "A maioria tem entre 15 e 18 anos e isso mostra que estamos preocupados com a situação das nossas escolas." O estudante afirma também que a situação dos colégios na cidade está precária. "As condições que temos para estudar e os professores para trabalhar estão muito ruins. Não tem infraestrutura nas escolas, as carteiras e as janelas estão quebradas. Isso dificulta e diminui a qualidade do ensino."
Para a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) local, Victória de Fátima de Mello, o apoio dos estudantes mostra o reconhecimento deles em relação aos professores. "Trata-se de um apoio importante e mostra que a nossa luta não é em vão. O governo tenta nos desmoralizar, mas o movimento continua."
O sindicato realiza nesta terça-feira, 16 de agosto, um encontro com o governo, em Belo Horizonte, mediado pelo Ministério Público. "Se o governo não afirmar que vai implantar do piso salarial, não haverá fim da greve. Isso já está definido." Victória comenta que no Estado a adesão é de cerca de 60%. Em Juiz de Fora, está em torno de 20%. "Devido ao corte de pagamento dos professores em greve, muitos saíram do movimento. Entretanto, o anúncio de contratação de substitutos gerou revolta na categoria e só faz aumentar a adesão."
*Victor Machado é estudante do 8º período de Comunicação Social da Faculdade Estácio de Sá