A estimativa é de que pelo menos 100 mil pessoas estejam nas ruas de Santiago
09/08/2011
Luciana Silvestre Girelli
de Santiago
Após a forte repressão policial às manifestações estudantis que ocorreram na última semana, os estudantes chilenos estão preparando uma paralisação nacional, que irá contar com a adesão de outros segmentos sociais. A estimativa é de que pelo menos 100 mil pessoas estejam nas ruas de Santiago nesta terça-feira (09). Para falar a respeito da mobilização, a estudante de Psicologia da Universidade do Chile e integrante da Corrente estudantil Práxis, Valentina Olivares, concedeu a seguinte entrevista ao Brasil de Fato:
Quais os objetivos da paralisação de hoje?
Haverá uma jornada nacional de protestos pela educação, na qual não somente estudantes, mas professores, trabalhadores da educação em geral, funcionários públicos e os trabalhadores da construção civil estarão em marcha contra as forças de repressão policial e contra o governo.
Também convocamos uma paralisação produtiva de todos os trabalhadores do Chile, em 17 de agosto, para apoiar a luta dos estudantes, assim como uma paralisação nacional convocada pela CUT para 24 e 25 deste mês.
Qual tem sido a resposta do governo às reivindicações estudantis?
Tem havido muita repressão policial e perseguição política nas ruas e nas escolas aos dirigentes de base. Também há uma tentativa de invisibilizar o que acontece nas regiões pelo bloqueio midiático.
A resposta concreta exigida pelos estudantes na Confech (Confederação dos Estudantes Chilenos) deveria ser dada na última quarta-feira (03), mas o governo continuou com a posição de levar a questão para o parlamento, onde o povo não tem influência nenhuma. As propostas feitas pelo governo apenas aprofundam a contrarreforma neoliberal da educação.
Quais as principais reivindicações dos estudantes?
Educação gratuita e de qualidade em todos os níveis. No caso da educação secundária, exigimos que os colégios voltem a ser mantidos pelo Estado. Na educação superior, queremos o aumento do financiamento público para as universidades, porque menos de 10% de recursos aplicados em educação são de origem pública.
Quais as perspectivas para o movimento?
A perspectiva de luta é convocar todos os setores populares para as manifestações. Na semana passada, famílias saíram as ruas para defender a luta pela educação, com protestos e barricadas, o que demonstrou um apoio popular muito forte. A mobilização não vai diminuir até que alcancemos nossas demandas.
Foto: Carol Crisosto Cadiz/CC