Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Estudante assassinado pela PM em 1968 é lembrado no Rio

Passeata vai lembrar os 40 anos do assassinato do estudante Edsodn Luiz, assassinado pela Polícia Militar durante manifestação no restaurante do Calabouço

Quinta, 27 de Março de 2008 às 06:59, por: CdB

Nesta sexta-feira, na praça Ana Amélia (entre a av. Churchill e a rua Santa Luzia), no Centro do Rio de Janeiro, será inaugurada uma escultura em homenagem ao estudante Edson Luiz Lima Souto, morto pela ditadura militar no dia 28 de março de 1968.

A cerimônia será realizada no auditório da Casa do Estudante do Brasil (em frente à praça), 9º andar, com a participação de autoridades e de líderes estudantis de 1968, como o então presidente da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço(FUEC), Elinor Brito Também participa do evento a mãe do Edson Luis Lima Souto, Maria de Belém Souto Rocha. Após a inauguração da escultura está prevista uma passeata até o terreno da sede da UNE, no aterro do Flamengo, onde será aberta a exposição fotográfica “Direito à Memória e a Verdade – a Ditadura no Brasil 1964-1985”.
 
A morte do secundarista Edson Luiz Lima Souto ficou como o marco histórico das mobilizações estudantis de 1968. Com 18 anos, 1m59 de altura e armado apenas com o sonho de conquistar condições dignas de vida, Edson que fazia o curso de “Madureza” (Supletivo) ministrado por estudantes universitários no extinto restaurante do Calabouço, foi morto com um tiro no peito, disparado à queima-roupa por um tenente da PM, que comandava a repressão a um ato de protesto contra o anunciado aumento do preço das refeições servidas no “bandejão” do Calabouço, que funcionava próximo ao Museu de Arte Moderna.
 
A bala varou seu coração e alojou-se na espinha, provocando morte imediata. Indignados, seus colegas não permitiram que o corpo fosse levado ao IML, conduzindo-o para a Assembléia Legislativa, que funcionava no Palácio Pedro Ernesto, atual sede da Câmara dos Vereadores em passeata. Lá, sob cerco de polícias civis e militares, foi realizada a autópsia e aconteceu o velório. O caixão chegou ao cemitério João Batista nos braços de milhares de estudantes. O atestado de óbito foi assinado pelo médico e então deputado estadual Jamil Haddad.

Nascido em Belém do Pará, Edson era filho de Maria de Belém Souto Rocha. A família, mesmo sendo muito pobre, se empenhou para enviá-lo ao Rio de Janeiro, a fim de que concluísse os estudos secundários.

Conforme declarações publicadas na época  por integrantes da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço, o garoto não chegava a ser um líder estudantil. Falava pouco e ainda estava meio desconfiado, mas colaborava colando jornais murais e dando recados, contaram os colegas.

Estava programada mais uma passeata e Edson resolveu jantar mais cedo, naquele 28 de março, para ter tempo de preparar alguns cartazes. Segurava a bandeja na mão quando começou uma correria e foi atingido por um cassetete no ombro. Os policiais militares, que tinham invadido o local, começaram a atirar. Os estudantes armaram-se de paus e pedras para responder. Foi quando Edson caiu.

Na mesma ocasião, tiros atingiram o comerciário Telmo Matos Henrique e o estudante Benedito Frazão Dutra. Conforme a versão de algumas testemunhas, o tenente PM Alcindo Costa teria ficado enraivecido ao ser atingido por uma pedrada na cabeça. Outros jovens presentes no local afirmaram que Edson foi atingido por se encontrar à porta quando a tropa chefiada por Alcindo entrou em formação fechada de ataque. Nesse dia o calabouço fechou para sempre.

Na ocasião o Rio era o Estado da Guanabara e o governador era o embaixador Francisco Negrão de Lima, último dirigente do Estado eleito pelo voto direto antes do AI-V. Embora eleito pelo então MDB, Negrão não fazia oposição aos militares e a Polícia era comandada  por um oficial indicado por Brasília.

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