O estrogênio, que é o hormônio sexual feminino, desempenha um papel importante no processamento do som no cérebro, afetando diretamente a audição.
Segundo pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, o entendimento desse processo pode abrir novos caminhos para o tratamento de deficiências auditivas.
O estrogênio cumpre um papel central em como o cérebro extrai e interpreta a informação auditiva. Ele faz isso em uma escala de milisegundos nos neurônios, em oposição a dias, meses ou até anos nos quais o estrogênio é mais conhecido por afetar o organismo.
Estudos anteriores já sugeriam essa associação entre audição e estrogênio, mas sem explicar os mecanismos implicados nessa relação. O novo trabalho mostrou que o estrogênio é uma molécula chave no carregamento dos sinais cerebrais. Seu equilíbrio no homem e na mulher teria um papel além do de hormônio sexual.
De acordo com a pesquisa, o aumento dos níveis do hormônio em regiões do cérebro que processam informações auditivas levava a uma elevação da sensibilidade dos neurônios que processam o som, que passavam a codificar características mais complexas e sutis do estímulo do som.
E o bloqueio da ação ou da produção do estrogênio pelas células “desligava” os sinais necessários para o cérebro processar o som.
Os resultados indicam que o hormônio seria necessário para ativar genes que instruem o cérebro a fixar as memórias desses sons.
As descobertas ocorreram meio ao acaso, quando os pesquisadores investigavam como o estrogênio poderia ajudar a mudar circuitos neuronais para formar as memórias de canções familiares em um tipo de pássaro tipicamente usado para entender a biologia da comunicação vocal.