Quando Mel Gibson anunciou o seu projeto de transformar as últimas horas de Cristo em um filme falado em haramaico e latim poucos apostaram que o roteiro realmente virasse película. Um ano depois o filme chega às telas brasileiras depois de faturar milhões de dólares nos EUA e também colecionar polêmicas.
A bilheteria foi impulsionada pelas acusações de antisemitismo, por parte de autoridades judaicas, e da aprovação por parte do Vaticano. O Papa viu o filme e gostou, chegou a receber o ator Jim Caviezel, que interpreta Jesus na produção. O roteiro do filme é muito fraco, mas fiel aos relatos bíblicos, o rabino Caifás insiste na cruxificação de Cristo, no filme e no livro sagrado.
Outro ponto polêmico é a extrema violência. São 127 minutos de filme, dos quais mais de 40 são dedicados a mostrar o martírio de Jesus. Esse é o diferencial do projeto de Gibson - católico conservador e praticante que desembolsou US$ 25 milhões -, a crueza dos detalhes com que mostra os açoites aplicados pelos romanos.
É essa violência crua a principal marca do filme. São as imagens da tortura e do corpo ensagüentado e não as mensagens de amor de Jesus que parmanecem com o espectador quando a projeção termina. Algumas cenas, principalmente as de Maria, são as que lembram o que realmente havia de importante nessa história para contar e que, parece, ter sido esquecida por Gibson.