O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, considerou, em carta aberta ao ministro da Fazenda, que o estouro da meta de inflação no ano passado foi ''perfeitamente aceitável''.
``O valor de 9,3 por cento, que supera a meta ajustada em apenas 0,8 ponto percentual, encontra-se dentro de uma margem de erro perfeitamente aceitável'', disse o documento, divulgado nesta sexta-feira.
A meta ajustada para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2003 era de 8,5 por cento. O índice subiu 9,3 por cento, marcando o terceiro ano consecutivo de descumprimento da meta.
A carta apontou que a maior parte da inflação de 2003 foi observada no início do ano, ``quando a intensidade da inércia inflacionária foi superior à inicialmente estimada''.
``O resultado do primeiro trimestre (de 2003) pode ser atribuído a um aumento temporário do grau de persistência inflacionária naquele período, retro-alimentado pela deterioração das expectativas... desde o quarto trimestre de 2002.''
O ministro apontou que em meados de 2003, com a recuperação das perspectivas econômicas e a ``volta à normalidade macroeconômica'', a inflação retornou a níveis ``estáveis e relativamente baixos''.
O regime de metas de inflação estabelece que quando o objetivo não é cumprido, o presidente do BC deve enviar uma carta ao ministro explicando os motivos do estouro do alvo.