É possível que os dias dos estilistas superstars estejam contados. O fato de a Givenchy ter chamado o relativamente desconhecido Riccardo Tisci, 30 anos, para ser seu novo diretor criativo ressalta a nova tendência: contratar profissionais com experiência nos estúdios, dando preferência a eles em lugar dos estilistas de maior presença na mídia, disseram analistas na terça-feira.
Embora Tisci, 30 anos, seja formado pela famosa escola de moda Central St. Martins, de Londres, e já tenha experiência trabalhando com grifes como a Missoni, ele até agora exibiu apenas duas coleções de prêt-à-porter sob seu próprio nome em Milão.
"É o fim do 'sistema de astros e estrelas' marcado por esses 'ditadores' artísticos", comentou Vincent Gregoire, diretor criativo da consultoria de moda Nelly Rodi, de Paris.
Seu comentário foi um trocadilho com o título de "diretor artístico" dado aos estilistas-celebridades nos anos 1990, que, com isso, passaram a exercer controle sobre tudo, desde as embalagens até a decoração das lojas.
A evidência mais clara do clima novo que começa a reinar nas grandes empresas do ramo foi a decisão tomada no ano passado pela varejista francesa Pinault Printemps Redoute de substituir seu estilista famoso Tom Ford, que estava de saída, por quatro assistentes na Gucci e na Yves Saint Laurent.
A coleção de prêt-à-porter que John Galliano apresentou na terça-feira para a Christian Dior --, que, como a Givenchy, faz parte do grupo de luxo concorrente LVMH -- refletiu o novo espírito de racionalização que vem acometendo o setor.
É verdade que, como sempre, as primeiras fileiras do público estavam repletas de celebridades, tanto que os fotógrafos não paravam de clicar a atriz Julianne Moore e a diva pop Diana Ross.
As modelos desfilaram num palco que incluía dois pianos de cauda pequenos sobre plataformas giratórias. Mas as roupas eram das mais "wearable" que Galliano já exibiu em seus nove anos à frente da grife Dior -- ou seja, das mais viáveis para serem vestidas de fato.
O estilista britânico ganhou fama por suas coleções excêntricas e bizarras, mas desta vez deixou claro que seu estado de espírito anda mais comercial, tanto que exibiu uma coleção de casacos de feltro e casacos de couro em estilo aviador, fortes e práticos.
As heroínas inspiradas nos anos 1960 de Dior percorreram a passarela em tops de chiffon drapejados, usados com calças de brocado metálico e brincos enormes, em estilo lustre.
Mas ainda apareceram várias criações próprias para clientes do tapete vermelho, como Charlize Theron, que compareceu ao Oscar num longo Dior azul-bebê. Vestidos de noite sensuais em cinza, azul gelo e magenta eram inspirados nos looks clássicos de Hollywood nos anos 1920.
O executivo-chefe da Dior, Sydney Toledano, desmentiu boatos de que Galliano teria sido instruído pela LVMH a abrandar seu tom bombástico.
"O que se verá nesta temporada não tem a ver com pragmatismo, mas com a evolução de John", disse ele antes do desfile.
"As coisas com ele estão indo muito bem. Estamos lidando com um estilista que tem muita experiência e realmente compreende as exigências. Cabe à direção da empresa expressar essas exigências com clareza."