Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Estiagem não deve pressionar mais a inflação, crê FGV

A estiagem deste ano que prejudicou a produção agrícola não vai mais influenciar o cálculo dos Índices Gerais de Preços (IGP). A conclusão é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. O economista explicou que o fim da estiagem já se esgota no atacado em maio e que as altas mais intensas nos meses de março e abril já retrocederam. "Agora é período de colheita", explicou. (Leia Mais)

Segunda, 30 de Maio de 2005 às 17:35, por: CdB

A estiagem deste ano que prejudicou a produção agrícola não vai mais influenciar o cálculo dos Índices Gerais de Preços (IGP). A conclusão é do coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. O economista explicou que o fim da estiagem já se esgota no atacado em maio e que as altas mais intensas nos meses de março e abril já retrocederam.

"Como não se sabe ao certo a extensão da quebra de safra, os mercados para se defenderem elevam muito os preços, mas depois isso tem que se ajustar. Além disso, a vida volta ao normal. Agora é período de colheita", explicou.

Quadros informou que o principal foco que provocou a deflação no IGP-M de maio foi registrado entre as matérias primas agropecuárias, em destaque para a soja , o milho,o arroz e o trigo. O economista lembrou que os materiais para manufatura têm um peso de praticamente 20% na estrutura do Índice de Preço no Atacado (IPA). Esses itens, embora não tenham apresentado deflação, tiveram desaceleração significativa. "Esse é um sinal muito importante em termos de descompressão de custos e que fatalmente, pelo efeito da competição, deve chegar em algum momento ao consumidor", afirmou. Ele ponderou, no entanto, que fatos novos que invertam essa tendência também chegariam ao consumidor.

Com relação ao preço das carnes, Salomão Quadros informou que no varejo os preços estão em alta e no atacado a situação está indefinida. "A perspectiva para carne, a médio prazo, não é de redução, porque a gente está chegando no final do primeiro semestre, que é quando começa a entressafra da pecuária bovina. Então em julho e agosto o boi gordo deve subir de preço e aí se ele com a queda o preço a carne está subindo, imagine com a subida de preço?", indagou.

Mas se o efeito da estiagem já retrocedeu o mesmo ainda não aconteceu com os preços administrados, que de acordo com o economista continuam sendo uma influência grande no Índice de Preços ao Consumidor. Em maio,os reajustes de energia elétrica em Salvador, em Recife e em Belo Horizonte provocaram um grande impacto no grupo Habitação. "Foi um item que se destacou e durante o ano ainda vamos ter outros", explicou.

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