As equipes de Fórmula 1 que boicotaram o Grande Prêmio dos EUA estavam tão desesperadas para correr que poderiam ter aberto mão do direito de marcar pontos, disse o dono da equipe Williams, Frank Williams, nesta segunda-feira.
O britânico afirmou que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) deve dividir a culpa pelo fiasco que deixou torcedores e telespectadores de todo o mundo irados por assistirem a uma corrida com apenas seis carros.
A equipe Williams, que tem 60 por cento de sua receita comercial oriunda da América do Norte, foi uma das sete equipes de pneus Michelin que abandonaram a prova antes da largada alegando preocupações de segurança após falhas dos pneus durante os treinos livres.
"As equipes estavam desesperadas para correr, para montar o espetáculo", disse Williams em entrevista à Reuters por telefone. "Correr na América do Norte é fundamental para a saúde comercial da Fórmula 1."
"Queríamos pelo menos divertir o público. Estávamos preparados para correr sem valer pontos e deixar para a Ferrari. Não posso expressar como estávamos desesperados", acrescentou ele.
Williams disse ainda que as respostas dos patrocinadores da equipe foram "compreensivas e simpáticas", destacando que os campeonatos norte-americanos como a CART normalmente cancelam corridas por causa da chuva.
As equipes, cujos pneus não tinham resistência para aguentar a velocidade na última curva, queriam que fosse instalada uma chicane para diminuir a velocidade dos carros, mas a FIA rejeitou a proposta.
Williams disse que o promotor da prova de Indianápolis, Tony George, e o empresário da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, haviam concordado com a chicane numa reunião com as equipes sábado à noite, mas que o presidente da FIA, Max Mosley, recusou.
"Bernie chamou (o diretor de provas da FIA) Charlie Whiting no sábado à noite e disse para fazer", contou Williams, que lembrou diversos precedentes, como o GP da Bélgica de 1994 em Spa-Francorchamps.
Williams disse que já era esperado que a FIA colocasse a culpa nas equipes, depois que as sete terem sido convocadas a depor em um tribunal da federação no dia 29 de junho por atitudes prejudicais aos interesses da competição.
Entretanto, ele destacou que as equipes não fazem os pneus e que a Michelin havia informado o problema em cima da hora.
Ele, que está na Fórmula 1 há quatro décadas e que já conquistou nove títulos de construtores, disse que nunca vivera uma situação como essa.
Mas enfatizou que não abriria mão da segurança.
"Particularmente por esta equipe, Piers Courage morreu em 1970 no Grande Prêmio da Holanda", disse ele. "Ayrton Senna morreu em 1994. Ralf escapou por pouco de ficar paralítico (em Indianápolis) quando bateu no muro. Levamos muito a sério a segurança."
O GP dos Estados Unidos do final de semana acabou com a vitória de Michael Schumacher, seguido por seu companheiro de equipe na Ferrari, Rubens Barrichello.
Williams isentou totalmente a equipe italiana de responsabilidade por tudo o que aconteceu em Indianápolis. "Eles foram totalmente inocentes em todo este caso. Eles não tinham motivos para não correr."