As estatais de energia dominaram o leilão de linhas de transmissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e arremataram 5 dos sete lotes licitados nesta sexta-feira no Rio de Janeiro.
A Eletronorte, subsidiária da Eletrobras, arrematou dois lotes; Furnas, Eletrosul e Chesf ficaram com um lote cada uma.
A Neoenergia, que tem participação societária de espanhóis, arrematou um lote. O outro, localizado no Rio Grande do Sul, não teve interessados.
O deságio médio do leilão de linhas de transmissão foi de 37,62%. Nesse tipo de leilão, vence a disputa quem oferece a menor receita anual, ou seja, a empresa que propor a menor cobrança de tarifa.
O maior deságio foi oferecido pelo grupo Neoenergia, de 60%, para a construção de uma linha de transmissão na Bahia.
As linhas de transmissão entrarão em operação em prazos que variam de 16 a 24 meses após a assinatura dos contratos de concessão.
O diretor da Aneel, Edvaldo Santana, creditou a baixa participação dos grupos estrangeiros à crise financeira mundial e ao pequeno porte dos empreendimentos.
- (A ausência das estrangeiras) pode ser por causa da crise financeira. Se tivesse mais estrangeiras, talvez o deságio fosse maior, mas não podemos esquecer que esse é um leilão cuja receita teto máxima era de 70 milhões de reais, portanto era um leilão pequeno, que não atrai tantos interessados como outros. A ausência pode ser por isso também - explicou Santana.
Ronaldo Custódio, diretor da Eletrosul, subsidiária da Eletrobras, reconhece que a crise internacional prejudicou o leilão.
- Aparentemente, houve o impacto da crise, mas precisamos analisar isso com um pouco mais de calma porque o maior deságio foi apresentado por uma empresa com participação espanhola - disse ele à Reuters.
Madeira
Apesar da crise financeira, o consenso é de que deverá haver uma participação mais forte de estrangeiras no leilão de linhas de transmissão das usinas do Rio Madeira no fim do mês, como acredita Santana.
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, não tem dúvida de que a turbulência internacional inibiu as empresas estrangeiras no leilão desta sexta-feira, e aposta em um apetite maior das empresas, nacionais ou estrangeiras, privadas ou estatais, no complexo do Rio Madeira.
- O Madeira é o filé mignon de transmissão... os sinais que temos é que vai ter competição, e acirrada. A parte ambiental é tranquila e é um bom projeto - disse ele a jornalistas após participar da cerimônia de posse do novo presidente de Furnas, Carlos Nadalutti.
Zimmermann citou ainda que o investimento para a construção das linhas do Madeira será de aproximadamente 7 bilhões de reais. O BNDES, segundo o executivo, vai financiar parte do projeto. As linhas entrarão em operação em 2012.
José Muniz Lopes, presidente da Eletrobrás, não acredita que o leilão de linhas do Madeira será afetado pela crise e informou que as empresas do seu grupo avaliam a participação na licitação.
- Estamos analisando Madeira direitinho. Acho que a turbulência vai passar com o pacote (de socorro dos EUA). As coisas vão se acomodar e espero que tenhamos uma bela disputa com uma concorrência maior que no leilão desta sexta-feira - analisou.