Os Estados Unidos decidiram adiar o anúncio do fim da proibição a seus cidadãos de viajar à Líbia depois que o primeiro-ministro daquele país, Shukri Ganem, afirmasse que seu Governo não aceita responsabilidades pelo atentado de Lockerbie.
Em entrevista coletiva diária, o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, disse que os EUA exigirão à Líbia que se retrate dessas declarações.
Em declarações à rede BBC, Ganem afirmou que a Líbia só tinha concordado em pagar 2,7 bilhões de dólares em compensação às famílias das vítimas do atentado de Lockerbie para melhorar suas relações com os países ocidentais e para conseguir o fim das sanções internacionais.
No último mês de agosto, em uma carta às Nações Unidas, a Líbia disse que aceitava "a responsabilidade pelos atos de seus funcionários" no atentado, no qual morreram 270 pessoas pela explosão de um avião da companhia americana PanAm quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, em dezembro de 1988.
A Casa Branca anunciaria nesta terça-feira o fim da proibição de seus cidadãos de viajar à Líbia, depois que o regime presidido por Muammar el Khadafi anunciasse em dezembro o fim de seu programa para a fabricação de armas não convencionais.
Os Estados Unidos renovaram em novembro passado a proibição aos americanos de viajarem à Líbia, mas o secretário de Estado, Colin Powell, disse na ocasião que a medida seria revisada a cada 90 dias.
Atualmente, entre dez e 15 especialistas dos EUA e do Reino Unido se encontram na Líbia para supervisionar o desmantelamento do programa de armas de destruição em massa desse país.