Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2026

Estado promete atender obesos em hospitais particulares

A Secretaria estadual de Saúde anunciou nesta quinta-feira que vai fechar um convênio com uma rede de hospitais particulares para atender a pacientes obesos. Com hospitais na Barra da Tijuca, em São Cristóvão e em Copacabana, a rede possui um dos dois tomógrafos da capital com capacidade para obesos, mas o aparelho é limitado a pacientes com até 225 kg e 154 cm de diâmetro abdominal. (Leia mais)

Quinta, 05 de Abril de 2007 às 08:01, por: CdB

A Secretaria estadual de Saúde anunciou nesta quinta-feira que vai fechar um convênio com uma rede de hospitais particulares para atender a pacientes obesos. Com hospitais na Barra da Tijuca, em São Cristóvão e em Copacabana, a rede possui um dos dois tomógrafos da capital com capacidade para obesos, mas o aparelho é limitado a pacientes com até 225 kg e 154 cm de diâmetro abdominal.

A previsão é que dentro de três meses mais um hospital receba o equipamento, que será o primeiro tomógrafo computadorizado do Estado, sem limite de circunferência abdominal.
Na última terça-feira, a presidente do Grupo de Resgate Auto-estima e Cidadania do Obeso (Graco), Rosimere Lima da Silva, disse que pacientes obesos eram atendidos em equipamentos para animais do hospital do Jockey Club Brasileiro. Nesta quarta-feira, o Jockey negou: não tem como atender a esses pacientes por não ter tomógrafo. A Secretaria estadual de Saúde, que admitira encaminhar pacientes para o Jockey, reconheceu o erro e esclareceu: há 10 anos, encaminhava os pacientes, mas essa prática não acontece mais. 

Mas os problemas dos obesos para atendimento hospitalar vão muito além dos exames a serem realizados. Os equipamentos para atender a esse tipo de paciente é específico - desde macas, cadeiras de rodas e vasos sanitários até centros cirúrgicos e unidades de tratamento intensivos.

- Internar um obeso implica responsabilidades. Se ele sentar em um vaso sanitário e quebrá-lo, pode ter um corte profundo. Já recebi, no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia, um paciente que tinha entre 180 kg e 200 kg e que, com a maca, ultrapassava o limite de peso do elevador. Tivemos problemas para conseguir realizar os exames. Foi preciso deslocar uma balança de carga para pesá-lo - contou Vera Leal, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Rio.

Em nota oficial divulgada na terça-feira, a Secretaria estadual de Saúde admitiu que casos em que há necessidade de realização de tomografia são encaminhados ao Jockey Club Brasileiro, na Gávea, Zona Sul da cidade. E ainda que: A Secretaria ressalta que pacientes de planos privados de saúde, bem como da rede municipal, são igualmente encaminhados para a realização da tomografia no Jockey.

Jockey Club nega atender obesos

Em nota à imprensa, o Jockey Club Brasileiro negou que atendesse a demanda de obesos que não conseguem ser atendidos em hospitais públicos por falta de equipamentos especializados. - Para que isso acontecesse, seria necessário um acordo entre o clube e a secretaria, o que nunca houve. O Hospital do Jockey Club Brasileiro faz cerca de 700 atendimentos por mês, entre exames laboratoriais, raio X, cirurgias, apenas em cavalos que participam das corridas - diz a nota.

A denúncia sobre os problemas no atendimento foi feita numa audiência pública na Assembléia Legislativa, na  terça-feira, da qual participaram  obesos, médicos endocrinologistas e deputados. Segundo Rosimere Lima da Silva, presidente do Grupo de Resgate Auto-estima e Cidadania do Obeso (Graco), as denúncias repassadas às autoridades na ocasião reproduzem informações de pacientes obesos que teriam ido à instituição reclamar por terem que se consultar no Jockey. Ainda de acordo com Rosimere, os pacientes preferem não se identificar por temerem represálias.

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