O secretário de Ação Social, Fernando William, coordena, na terça-feira., no Centro do Rio de Janeiro, uma aula prática do curso de capacitação em abordagem e acolhimento de população de rua. A ação faz parte do curso organizado pela Fundação Leão XIII, que formará o cidadão acolhedor. Participam da capacitação 15 ex-moradores de rua que, em uma experiência inédita no país, serão aproveitados no projeto de acolhimento, passando de moradores de rua a acolhedores de pessoas que vivem numa situação já experimentada por eles.
Os demais participantes do curso - assistentes sociais, educadores e técnicos de acolhimento - representam os municípios da Região Metropolitana, que assinaram o termo de compromisso para construir uma política pública comum de enfrentamento do problema.
Além de proporcionar a formação de ex-moradores de rua para atuarem como cidadãos acolhedores, o termo de compromisso estabelece políticas de melhoria no atendimento, desde ações de reinserção familiar a construção de abrigos ou casas-lares nos municípios da Região Metropolitana.
Na semana passada, os alunos realizaram a primeira aula prática de abordagem. O bom desempenho do grupo gerou um acolhimento não previsto de cinco pessoas que, por livre e espontânea vontade, foram para os abrigos do estado. Essas pessoas foram abordadas pelos cidadãos acolhedores em formação, sob a coordenação de um técnico da Leão XIII.
- A proposta do curso é criar uma nova metodologia de abordagem e acolhimento, deixando para trás práticas pouco efetivas. Para isso, estamos contando com a experiência de quem já vivenciou essa situação e conhece a realidade das ruas - afirma Fernando William.
Para ele, a participação dos ex-moradores de rua na capacitação tem sido bastante positiva pois, além de alunos, eles também são palestrantes ao relatarem suas vidas de passado recente. Os futuros cidadãos acolhedores têm mostrado aos demais técnicos que as piores experiências de viver nas ruas é ser tratado com desprezo pelas demais pessoas ou quando, ao ser acolhido, não ter o mínimo respeito por parte dos agentes sociais.
Para o ex-morador de rua, André Luiz Lima da Silva, 33 anos, o mais importante é usar a sensibilidade na hora de se aproximar da pessoa que está em situação de rua.
- Fica muito mais fácil abordar alguém nessas condições quando se sabe o que ela sente, quando se sabe o que passa nas ruas. Toda pessoa que se encontra nessa situação está sozinha, triste, com fome, frio ou dor. Basta ser gentil e oferecer ajuda com jeito, amor e respeito. Ninguém quer perder a chance de receber ajuda - ensina o ex-morador de rua.
Os alunos sairão com seus instrutores do Centro de Acolhimento de Benfica, na Rua Bérgamo, 330, em Triagem (antigo prédio da CTC), às 14h.