Rio de Janeiro, 24 de Outubro de 2026

Estado desenvolve campanha contra tuberculose nas prisões

Sexta, 25 de Julho de 2008 às 07:56, por: CdB

A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), através da Coordenação de Gestão em Saúde Prisional, iniciou em todas as unidades prisionais do Estado a campanha Busca Ativa à Tuberculose, para combater a doença no sistema carcerário. O programa teve o pontapé inicial este mês, na Penitenciária Moniz Sodré, em Gericinó.

A campanha é formada por uma força-tarefa da área de saúde, que vai visitar as unidades para esclarecer os detentos sobre as formas de contágio, prevenção e, principalmente, realizar o exame de escarro para identificar se o interno que apresenta os sintomas iniciais está infectado pelo bacilo da tuberculose.

De acordo com o coordenador de saúde prisional, Carlos José Vasconcellos, a tuberculose é uma doença presente no mundo carcerário, até em países desenvolvidos. Com esta campanha, estima-se reduzir em mais de 70% os casos no sistema penitenciário do Rio. 

– Começamos um trabalho de campo nas unidades prisionais, através de pesquisa e conversa com os detentos sobre a doença. Também realizamos exame clínico, além de uma campanha de conscientização sobre a tuberculose. A idéia é que com a identificação precoce da doença e posterior tratamento, evitemos a contaminação de outros presos – esclarece o coordenador de saúde.

Ainda de acordo com o coordenador de gestão em saúde prisional, a avaliação para identificar a tuberculose era feita quando o detento apresentava algum sintoma e procurava orientação médica. No entanto, nos últimos seis meses, a análise começou a ser feita quando o preso ingressava no sistema penitenciário, paralelamente a exames para detectar outros tipos de doenças. 

– Decidimos fazer a análise antes de o preso entrar no sistema, porque muitas vezes as pessoas têm a doença, não sabem e acabam transmitindo a outros ao seu redor. Em média, cada doente pode contaminar de 10 a 20 pessoas – revela Vasconcellos, acrescentando que a qualidade de vida fora dos muros da prisão foi um fator importante para o diagnóstico passar a ser realizado de forma sistemática. 

– Geralmente eles são pobres, muitos não se alimentam de forma adequada, são usuários de drogas e têm vida promíscua. Tudo contribui para a contaminação. Eles já chegam doentes e lá podem transmitir a doença para outros internos. Temos que evitar que isso aconteça – alerta o médico.

Somente no primeiro dia da campanha foram realizados cerca de 240 exames de escarros para fazer o diagnóstico da tuberculose, apenas na penitenciária Moniz Sodré. A previsão é a de que em quatro meses serão realizadas cerca de 23 mil entrevistas, englobando todo o sistema carcerário.

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