Proibido de noticiar qualquer informação referente à Operação Boi Barrica, desencadeada por agentes da Polícia Federal (PF) na apuração de denúncias contra o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Fernando Sarney, o diário paulistano O Estado de São Paulo colheu, neste sábado, a opinião de alguns senadores acerca da controversa decisão do desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal (DF) Dácio Vieira. Na opinião dos parlamentares ouvidos, a decisão do Judiciáro agrava a situação do senador maranhense.
– O homem da transição democrática agora comete um ato da ditadura. Ele perdeu seu último argumento. Isso é terrível. O presidente Sarney tem de renunciar – disse Pedro Simon (PMDB-RS).
A apuração dos fatos referentes às denúncias contra Fernando Sarney é protegida por segredo de Justiça. Caso o jornal desrespeite a decisão, que consta dos autos, logo não pode ser divulgada por também ser sigilosa, precisará pagar multa de R$ 150 mil por cada reportagem publicada. O desembargador atendeu pedido de Fernando Sarney, dono de um grupo de comunicação no Maranhão, inclusive de uma retransmissora da TV Globo.
O advogado do empresário, Eduardo Ferrão, ingressou com a ação juridicamente denominada de Medida Inibitória, na Justiça do DF. Embora negado por um juiz da primeira instância do TJ-DF por entender que a proibição seria uma afronta à liberdade de imprensa, Ferrão recorreu então à segunda instância, na qual obteve a decisão favorável a Fernando. O advogado nega que haja uma censura ao jornal:
– A operação está sob segredo de Justiça, divulgar seu conteúdo é crime. Foi o que o desembargador disse.
Fernando Sarney foi indiciado em três inquéritos da PF, por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A mulher dele, Teresa Murad, e funcionários de empresas da família também foram indiciados.
A diretora jurídica do Grupo Estado, Mariana Uemura Sampaio, informou que o jornal foi oficialmente comunicado sobre a proibição por volta das 18h da sexta-feira e pretende recorrer da decisão.