Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

<i>Estadão</i> vai recorrer da sentença que censura processo do filho de Sarney

Proibido de noticiar qualquer informação referente à Operação Boi Barrica, desencadeada por agentes da Polícia Federal (PF) na apuração de denúncias contra o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Fernando Sarney, o diário paulistano O Estado de São Paulo colheu, neste sábado, a opinião de alguns senadores acerca da controversa decisão do desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal (DF) Dácio Vieira. (Leia Mais)

Sábado, 01 de Agosto de 2009 às 14:58, por: CdB

Proibido de noticiar qualquer informação referente à Operação Boi Barrica, desencadeada por agentes da Polícia Federal (PF) na apuração de denúncias contra o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Fernando Sarney, o diário paulistano O Estado de São Paulo colheu, neste sábado, a opinião de alguns senadores acerca da controversa decisão do desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal (DF) Dácio Vieira. Na opinião dos parlamentares ouvidos, a decisão do Judiciáro agrava a situação do senador maranhense.

– O homem da transição democrática agora comete um ato da ditadura. Ele perdeu seu último argumento. Isso é terrível. O presidente Sarney tem de renunciar – disse Pedro Simon (PMDB-RS).

A apuração dos fatos referentes às denúncias contra Fernando Sarney é protegida por segredo de Justiça. Caso o jornal desrespeite a decisão, que consta dos autos, logo não pode ser divulgada por também ser sigilosa, precisará pagar multa de R$ 150 mil por cada reportagem publicada. O desembargador atendeu pedido de Fernando Sarney, dono de um grupo de comunicação no Maranhão, inclusive de uma retransmissora da TV Globo.

O advogado do empresário, Eduardo Ferrão, ingressou com a ação juridicamente denominada de Medida Inibitória, na Justiça do DF. Embora negado por um juiz da primeira instância do TJ-DF por entender que a proibição seria uma afronta à liberdade de imprensa, Ferrão recorreu então à segunda instância, na qual obteve a decisão favorável a Fernando. O advogado nega que haja uma censura ao jornal:

– A operação está sob segredo de Justiça, divulgar seu conteúdo é crime. Foi o que o desembargador disse.

Fernando Sarney foi indiciado em três inquéritos da PF, por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. A mulher dele, Teresa Murad, e funcionários de empresas da família também foram indiciados.

A diretora jurídica do Grupo Estado, Mariana Uemura Sampaio, informou que o jornal foi oficialmente comunicado sobre a proibição por volta das 18h da sexta-feira e pretende recorrer da decisão.

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